21 de fevereiro de 2018
Agroinformática
2 de fevereiro de 2018 - 15:15

Inteligência Artificial

Manfred Schmid avalia novidades tecnológicas e as transformações em curso na agricultura. Conforme diz, "a informática está saindo do operacional e do gerencial para entrar no estratégico".

Manfred Schmid

Dentre as inovações trazidas pela informática, a que mais assusta e empolga é o uso da inteligência artificial.

Os primeiros sistemas informatizados para o agronegócio surgiram nas décadas de 80 e 90. Seu foco principal, até pelas limitações da tecnologia disponível naquela época, eram atividades repetitivas e de cálculo, como a contabilidade. De lá foram para outros setores administrativos, financeiros e fiscais das empresas, constituindo os ERPs (sigla em inglês para Enterprise Resource Planning). Nesta primeira rodada de informatização, os sistemas procuravam responder a pergunta gerencial “O que aconteceu?”. Era marcante o grande volume de trabalho para alimentar os sistemas com a informação.

Na sequência, os softwares gerenciais começaram a utilizar a informação para determinar a relação “causa x efeito” nas empresas. Estas ferramentas foram chamadas de Business Inteligence, ou simplesmente BI. Os sistemas de BI procuravam responder a pergunta gerencial “Por que aconteceu?”.

Seguindo o processo evolutivo da informática, utilizando sensores e robotização, criou-se a Internet das Coisas (IoT), e diversos equipamentos do dia a dia passaram a coletar eletronicamente dados, muito além daqueles que antigamente precisavam ser digitados. Surgiram novas formas de armazenar e disponibilizar a informação, inclusive na nuvem, em modernos bancos de dados. A capacidade de processamento dos computadores servidores aumentou, sendo que hoje temos um volume de informação centena de vezes superior, que pode ser rapidamente analisado. É a era do Big- Data. Com ferramentas estatísticas e de Datamining, passou-se a descobrir correlações além das observadas pela sensibilidade e lógica humana.

Estas novas tecnologias permitiram que os sistemas de informática dessem um salto de qualidade e funcionalidade, entrando no que chamamos de Inteligência Artificial e sistemas Analytics. A informática sai do operacional e do gerencial, para entrar também no estratégico. Se antes substituía o homem em atividades repetitivas, agora pode também raciocinar e tomar deci- Inteligência Artificial no agro Vivemos em um mundo de constantes mudanças tecnológicas, mas agora elas acontecem cada vez mais rápidas, e mais precisas. sões. Pare e pense no impacto disso.

As funções de um sistema Analytics são agrupadas em 3 etapas: as Análises Preditivas, que estudam as informações armazenadas para responder à pergunta (substituindo o raciocínio humano) “O que acontecerá?”. Já as Análises Prescritivas procuram responder “Quais são as ações otimizadoras?”: é aquele tipo de raciocínio utilizado para jogar xadrez, privilégio de poucos. E a terceira, a Análise Cognitiva, utiliza padrões de correlação não percebidos pela maioria dos cérebros humanos, para responder a pergunta “Quais as implicações possíveis destas ações?”.

Existem, mundialmente, vários projetos utilizando grandes volumes de dados, e vários supercomputadores processando essas informações. São ferramentas com serviços disponíveis para serem contratados por outras empresas. Os projetos mais notórios são o Watson, da IBM e o Leonardo, da SAP.

E esta tecnologia está desembarcando no agronegócio e promete revolucionar muito. E a agricultura brasileira, com sua tecnologia e sua relevância na produção mundial de alimentos, é um dos alvos desta tecnologia. Neste sentido, criamos no final de 2017 um grupo para estudar a utilização do Watson na agricultura. Participam inicialmente deste projeto representantes da Embrapa Soja, do Iapar, da FAPA, da UFPR (curso Agronomia), da CWR Pesquisa, da Fortgreen, da ABPSAP, além da Agrotis e da IBM. Certamente deste grupo de eminências produzir-se-ão interessantes aplicações de AgroAnalytics. Alta tecnologia, inteligência artificial e cooperação: é o futuro Agrodigital.
 

Fonte: Agro DBO 96

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