25 de abril de 2018
Almanaque
5 de abril de 2018 - 14:12

Quanto fica e quanto sai

Engenheiro agrônomo, produtor de café e consultor em cafeicultura, Hélio Casale muda sua abordagem. Em vez de tratar de questões agronômicas, destaca os aspectos nutricionais da bebida.

Hélio Casale

Vejamos o café sob o ponto de vista nutricional por ter em sua composição grande número de nutrientes que são base de compostos químicos essenciais para a saúde humana.

O cultivo do cafeeiro contribuiu para a abertura de inúmeros municípios, estradas de ferro, estradas de rodagem e para fornecer trabalho para milhares de estrangeiros que vieram para cá no pós-guerra. Ainda hoje faz a grande diferença em inúmeros municípios onde é cultivado. Introduzido no Pará pelas mãos do Sargento Mor Francisco de Melo Palheta, em 1727, andou em busca de terras férteis e foi “descendo” costa abaixo, passando pela maioria dos estados, sendo mais intensamente cultivado no Rio de Janeiro. De lá, pulou para o Espírito Santo, chegou em São Paulo, daí para o Paraná. Geadas seguidas e esgotamento da fertilidade natural do solo, sem outra opção, avançou para o cerrado de Minas e ali encontrou um clima espetacular. Pelas mãos de brava gente, que enfrentou o problema da baixa fertilidade, conseguiu sucesso inimaginável. Eduardo Fujiwara e José Carlos Grossi estão entre os primeiros a acreditar no potencial do cerrado.

Como se pode observar o cafeeiro é planta nômade, que gosta de terras de boa fertilidade natural, ou de solo pobre, mas com topografia que permita a mecanização e seja livre do fantasma da geada.

No ano de 2017, dados da Conab, foram produzidas no mundo cerca de 159,144 milhões de sacas, sendo 98,79 milhões de arábica e 69,351 milhões de sacas de robusta. No Brasil foram 44,9 milhões de sacas sendo 34,2 milhões de sacas de arábica e 10,7 milhões do conilon o que corresponde a 28,2% da produção mundial. Foram exportados 27 milhões de sacas de arábica para 113 países, o que gerou mais de 5,2 bilhões o que gerou mais de 5,2 bilhões de dólares em divisas. Isso tudo em pouco mais de 2,2 milhões de hectares assim distribuídos: Minas Gerais – 1,220 milhão de ha, Espírito Santo – 443 mil ha, São Paulo – 216 mil ha, Bahia – 171 mil ha, Rondônia – 95 mil ha e Paraná – 49 mil ha.

Do café produzido no Brasil 21,5 milhões de sacas foram consumidas no mercado interno contribuindo para a saúde dos brasileiros e outros moradores desta terra abençoada.

Na tabela 1, dados de pesquisa feita pelo Prof. E. Malavolta que avaliam a composição média dos principais nutrientes encontrados nos grãos verdes de arábica, em gramas, contidos nos frutos e na casca de três diferentes variedades de cafeeiro, as mais plantadas no Brasil.

Com base nesses números podemos avaliar o valor da casca do cafeeiro e o quanto de nutrientes ficou no Brasil e o quanto foi exportado na forma de café verde.

Os nutrientes contidos no café, depois de torrado, moído, industrializado ou não, dissolvido em água quente é ingerido diariamente principalmente pela manhã, após o almoço e também no decorrer da tarde. Geralmente, ao redor da xícara, um bom papo.

Os nutrientes nele contido podem ser acumulados no corpo de quem o bebe, parte sai pelo suor, parte sai pela urina, pelas fezes. Mas o nosso organismo tira proveito desses elementos.

Conforme os dados de produção e exportação acima alinhados é que foi montada a tabela 2 que mostra o quanto de nutrientes fica no Brasil e o quanto foi exportado da safra de 2017.

Esses números dão o que pensar. Quanto de nutrientes estão sendo removidos do solo, das adubações, e está sendo pulverizado pelo país e pelo mundo afora?

Carlos Brando, consultor e especialista em café, ao ler este texto, expressou-se da seguinte forma: “Preocupante o quanto estamos empobrecendo nosso solo e acumulando riqueza em outros países. Nossos cafeicultores não estão recebendo um preço justo quando da venda e o Brasil está sendo espoliado em sua riqueza natural a fertilidade do solo”.

Por fim – aprecie quem quiser, emende e acrescente quem souber e todos vamos dar graças a Deus.

Fonte: Agro DBO 98

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