18 de dezembro de 2017
Agroinformática
5 de dezembro de 2017 - 16:37

Robôs agrícolas

Manfred Schmid alerta para a necessidade de "reinvenção" do trabalho, do ensino, das profissões e, por extensão, do próprio agronegócio, para acompanhar as transformações tecnológicas em curso no campo.

Manfred Schmid

A agricultura sempre existiu por forte dependência de mão de obra barata, o trabalho braçal. Passagens bíblicas citando produtores com dificuldades em conseguir trabalhadores para suas vinhas ilustram quão antigo é este problema. Na história, não foram poucas as épocas e povos que o solucionaram com a escravidão humana.

A melhor solução utilizada pelos nossos empreendedores rurais para combater este problema foi a criatividade e a engenharia. Para trabalhos de força, passaram a utilizar tração animal. Criaram carroças, arados, grades, e toda uma técnica para melhor aproveitar a força de equinos e bovinos. Na defesa vegetal, uma das invenções mais curiosas para eliminar mão de obra barata foi o espantalho, que até hoje é um símbolo folclórico da produção agrícola.

Esta criatividade na busca de eficiência e produtividade deu origem às novas tecnologias agronômicas, abrangendo mecanização agrícola (tratores, colheitadeiras, implementos), fitossanitários, nutrição de plantas (adubos e corretivos), melhoramento genético (sementes melhoradas), irrigação, que juntas, no século passado, resultaram no que chamamos de Revolução Verde.

Agora temos outras armas para esta guerra. A informática saiu do hardware e software tradicionais, migrando para praticamente tudo. É a IoT (Internet of Things / Internet das Coisas). Sensores, agora com tecnologia de rádio frequência (RFID), passaram a ser utilizados de formas inusitadas, e, aliados com pequenos hardwares (arduínos ou smartphones) pré- -programados com recursos de inteligência artificial, geram aplicações interessantíssimas.

Assim, hoje temos estações meteorológicas que calculam o momento ideal de controlar uma doença de planta; pulverizadores que identificam plantas daninhas, pulverizando seletivamente apenas sobre estas; armadilhas que identificam e contam sozinhas, insetos da lavoura; sensores que medem automaticamente o diâmetro de árvores, calculando a cubagem das florestas; tanques de combustível inteligentes que, quando atingem o nível crítico fazem pedido direto ao fornecedor; balanças rodoviárias automáticas, que dispensam a presença de balanceiros; armazéns de sacarias mapeados com radiofrequência, que evitam que a empilhadeira cometa erros; adubadeiras que se autorregulam em função da necessidade de fertilizante de cada local; colheitadeiras que solicitam assistência técnica sozinhas; tratores, pulverizadores, podadores, plantadeiras totalmente autônomos. Há inúmeros exemplos de novidades tecnológicas que buscam ganhar em produtividade com menos mão de obra humana.

E o impacto disso no mercado de trabalho agrícola? Muitos dos leitores devem lembrar-se das intermináveis discussões e audiências públicas sobre a proibição das queimadas na cana-de-açúcar, o fim da colheita manual, e o impacto nos empregos de milhares de “boias-frias”. Os operadores de colhedeiras de cana-de-açúcar passaram a ser então uma profissão valorizada. Mas hoje estão chegando colheitadeiras autônomas, sem a necessidade do operador...

São os robots chegando ao agronegócio, não como nos filmes de ficção científica do século passado, mas substituindo a mão de obra. Não podemos ser contra estas tecnologias, pois não queremos trabalhar de espantalhos, mas o fato é que as futuras profissões terão que ser inventadas, pois será muito mais eficiente contratar robots para fazê- -las. Temos que nos readequar, pois já estamos no futuro agrodigital!

Fonte: Agro DBO 95

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