18 de dezembro de 2017
Reportagem de capa
5 de dezembro de 2017 - 15:47

A solução está em suas mãos

Pressionados por custos crescentes e pela ineficácia dos agroquímicos no combate às pragas, agricultores passam a multiplicar bactérias "on farm" para controle biológico. A indústria contesta a legalidade da prática.

Ariosto Mesquita

A necessidade financeira e o quadro progressivo de resistência de insetos, fungos e plantas daninhas aos agroquímicos criados para combatê- los foram os principais estímulos para que o produtor sul-mato-grossense Gleyciano Vasconcellos apostasse de vez no controle biológico de doenças e pragas. Ao invés de comprar no mercado de produtos biológicos os inimigos naturais que precisava para conter os predadores, ele montou uma biofábrica para reproduzir bactérias para utilização exclusiva em suas lavouras de soja e milho, surpreendendo produtores, técnicos e o próprio mercado pela ousadia – muita gente não sabia se a reprodução de agentes biológicos on farm era permitida legalmente ou não.

Vasconcellos não é proprietário rural. Residente em Rio Brilhante, a160 quilômetros de Campo Grande (MS), ele presta serviços de armazenagem e toca uma empresa de consultoria agronômica e representação de produtos biológicos comerciais (a GVBio), além de plantar soja e milho (segunda safra). As lavouras estão espalhadas por 1.147 hectares de terras arrendadas nas fazendas Mirante (285,5 ha), no município de Sidrolândia, Paraíso (199,5 ha), Pé de Cedro (221,5 ha), Futurista (200 ha) e Aliança (240,3 ha), as quatro em Nova Alvorada do Sul. Segundo ele, o valor gasto com os arrendamentos (equivalente em meados de novembro a 13 sacas/ha, tendo como base o valor de R$ 60 a saca) e o custo total da lavoura, cada vez mais alto devido à necessidade de aumentar a carga de produtos químicos, estavam colocando em xeque seu negócio. “Eu desembolsava algo em torno de 48 sacas de soja para conseguir 53 de produtividade. Quase empatava e o risco por intempéries era grande”, conta.

Como alternativa, Vasconcellos mergulhou de cabeça na produção própria de bactérias na safra 2015/16. Ao longo de 2017, vem investindo em melhorias e na estruturação de sua biofábrica, composta por três unidades de multiplicação de micro-organismos. Para isso, ele ergueu uma instalação de alvenaria climatizada e equipada com instrumentos de assepsia e de contenção de contaminantes na Fazenda Pé de Cedro. Em novembro Vascondeste ano, ainda ajustava alguns detalhes como a temperatura a partir dos motores dos tanques de reprodução. “Eu adotei as mesmas normas que a legislação determina para estruturas de produção química e estou em fase de adequação”, observa. Neste espaço de 60 m2 ele multiplica bactérias (em meio líquido) de diferentes gêneros como o Bradyrhizobium (estimula a nodulação nas raízes da soja para a fixação biológica de nitrogênio), o Azospirillum (indutor do crescimento da planta), o Bacillus subtili (usado na prevenção e controle de doenças) e o Bacillus thuringiensis, mais conhecido como ‘Bt’ (na forma de bioinseticidas para o controle de lagartas).

A matéria completa está na edição de dezembro da Revista Agro DBO. Assinantes também podem lê-la na edição digital.

Fonte: Agro DBO 95

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