21 de fevereiro de 2018
Entrevista
2 de fevereiro de 2018 - 18:03

Classificação malandra

Em entrevista a Agro DBO, o presidente da Aprosoja/MT, Antônio Galvan, denuncia a "indústria de propinas" por trás da classificação de grãos no Brasil. "Isso tem sido um pesadelo para o produtor rural", diz ele.

O gaúcho Antônio Galvan, no dia em que completou 60 anos em novembro 2017, foi eleito para a presidência da Aprosoja – Associação Produtores de Milho e Soja do Mato Grosso, encabeçando a chapa “Aprosoja Decidida”. Desde 1986 Galvan é produtor de soja e milho no Mato Grosso, 3.500 ha ao ano, nos municípios de Vera e Santa Carmem, emancipados de Sinop, norte do estado, mas reside em Sinop, maior cidade da região. Galvan, descendente de italianos, começou com o pai sua vida de agricultor em Sananduva (RS), onde nasceu, mas eram pequenos produtores. Hoje, acusa a classe dos cartorários de terem roubado o “i” final do seu nome italiano. Galvan deixou Sananduva (RS), onde nasceu e virou gremista fanático, e com pouco mais de 21 anos foi tentar a vida no Paraná, onde exerceu várias atividades, até porque tem formação de Contabilista. Mas as lides agrícolas abriram-lhe oportunidades para voltar ao setor, em 1986, quando migrou para o Mato Grosso, onde faz agricultura e política setorial até hoje. E passou a ser apenas gremista, sem fanatismos, enquanto presidia o Sindicato Rural de Sinop, em dois períodos, cidade com maioria de habitantes é de migrantes do Rio Grande do Sul e Paraná. Galvan conversou com o editor-executivo da Agro DBO, jornalista Richard Jakubaszko, e comentou sobre os desafios dele e da Aprosoja- MT para os próximos 3 anos, especialmente a classificação de grãos, porque esta prática “mata o produtor”.

Agro DBO – Quais os maiores desafios da sua gestão na Aprosoja MT?
Antônio Galvan –
A chapa “Aprosoja Decidida”, para sua plataforma de gestão, tinha 4 pontos básicos: primeiro, alavancar o Fethab (Fundo Estadual de Transporte e Habitação), programa estadual para investir em logística e habitação, que estava quase paralisado. Em segundo, resolver a questão de royalties cobrados pela Monsanto na semente Intacta, fato que consideramos indevido. Terceiro ponto, a lei de cultivares, e o quarto item da plataforma incluía a questão a ser resolvida sobre a classificação de grãos, porque o produtor perde lucratividade ao ter de aceitar no ato da venda as normas técnicas, onde quem estabelece as regras são os compradores. Há outros pontos importantes a serem enfrentados pela atual diretoria, mas esses quatro são prioritários.

Agro DBO – Com pouco mais de 1 mês na presidência já existem alguns resultados?
Antônio Galvan – O INPI – Instituto Nacional de Propriedade Industrial deu parecer favorável ao nosso pleito de anular a patente. Por enquanto não muda nada, falta a Justiça decidir. Mas o parecer do INPI, que é o órgão competente, e que deu a patente, e agora recomenda a retirada, acredito que não vamos ter problemas com a Justiça. Esse pedido foi protocolado às vésperas da eleição. Já sabemos que a Monsanto vai recorrer, eles soltaram um comunicado esta semana, e então vamos discutir isso judicialmente, cada um com seus argumentos.

A matéria completa está na edição de fevereiro da Revista Agro DBO. Assinantes também podem lê-la na edição digital.

Fonte: Agro DBO 96

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