18 de dezembro de 2017
Ponto de vista
5 de dezembro de 2017 - 16:23

Produtividade sustentável

Décio Gazzoni propõe políticas públicas de incentivo à sustentabilidades e aumento do rendimento nas lavouras pelo uso de tecnologias apropriadas, em detrimento do crescimento agrícola via expansão de área.

Decio Luiz Gazzoni

O Mapa – Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento elaborou o documento “Projeções do Agronegócio – Brasil 2016/17 – 2026-27”, um referencial para as tendências de médio prazo do agronegócio brasileiro, útil para balizar ações de governo e o comportamento dos produtores agrícolas. Conforme a publicação, em 2017 foram colhidas 232 milhões de toneladas de grãos cultivados em 60 Mi/ha, com produtividade média de 3,87 t/ha. A projeção para 2027 é uma produção de 288 Mi/t em 70 Mi/ ha, com produtividade de 4,11 t/ha. No período a produtividade cresceria 6,4%, ou 0,62% ao ano.

Nos últimos 40 anos o Brasil revolucionou seu agronegócio, algo jamais visto em escala global. Transmutamo- nos de um país dependente de importação de alimentos para o status de maior exportador líquido de produtos agrícolas. E, ao que tudo indica, o Brasil será o protagonista do comércio de produtos agrícolas nas próximas décadas.

Tomemos a soja como exemplo, por haver sido o cultivo mais dinâmico do período e por haver influenciado positivamente todo o agronegócio brasileiro. De uma produtividade de pouco mais de 1.000 kg/ha em 1961 atingimos 3.361 kg/ha na última safra. O crescimento anual da produtividade atingiu picos como 4,55% a.a., na década de 1990 e de 2,56% a.a. entre 2010 e 2017. Entre 1961 e 2017, a taxa geométrica de crescimento da produtividade da soja no Brasil foi de 1,97% ao ano.

Examinemos a estimativa do Mapa, para 2027: é prevista a colheita de 146 Mi/t, um incremento de 29,7% sobre os 113 Mi/t colhidos em 2017. Uma boa notícia. Mas a notícia não tão boa é a estimativa de aumentar em 27,5% a área cultivada com soja, representando 9,4 Mi/ha adicionais. Um dos objetivos do documento do Mapa é subsidiar políticas públicas e descortinar oportunidades para o setor privado. Tanto a conquista quanto a manutenção de espaço no comércio internacional é uma verdadeira batalha. Atualmente, não basta produzir, para colocar seus produtos nos mercados mais nobres, é necessário que um país demonstre sustentabilidade na sua produção.

A matéria completa está na edição de dezembro da Revista Agro DBO. Assinantes também podem lê-la na edição digital.

Fonte: Agro DBO 95

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