25 de abril de 2018
Ponto de vista
5 de abril de 2018 - 14:50

Sócio perdulário

Rogério Arioli escreve sobre a fome tributária do governo, capaz de, a convite do agronegócio, sentar à mesa com os produtores rurais, comer mais que os anfitriões e, mesmo empanzinado, ainda taxar os alimentos.

Rogério Arioli Silva

Dentre os motivos de insucesso que amedrontam as empresas nacionais, três são os que frequentemente rondam o sono de quem teima em empreender no inóspito ambiente econômico brasileiro: carga tributária, juros abusivos e insegurança jurídica. Nas empresas agropecuárias é possível que o fator climático ocupe o segundo lugar, uma vez que os juros são um pouco menores, embora ainda sejam os maiores do planeta e estejam bem acima da inflação e da própria taxa Selic.

Em 2012 a Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul) fez um estudo criterioso da carga tributária incidente sobre a agropecuária nacional, demonstrando detalhadamente a parte do negócio que os governos abocanham na sua desmedida e irresponsável gula. As principais culturas estudadas pela Farsul foram o arroz, milho, soja, trigo e pecuária de corte sendo que os números obtidos foram assim descritos: arroz: 30,26%; milho: 27,10%; soja: 27,05%; trigo: 26,21% e, finalmente, a pecuária de corte: 30,63%.

Significa dizer que quando fazemos uma refeição comum, entre três pessoas, por exemplo, sempre existe mais uma invisível, sentada ao nosso lado, consumindo parte do alimento que, com grande sacrifício, levamos à mesa da nossa casa. Esse sócio indesejável que usa de todos os artifícios para aumentar seu prato em detrimento dos demais possui ainda um agravante incômodo: não ajuda em quase nada na economia doméstica e nem mesmo esconde o fato de que cada vez quer ajudar menos. Ganhou muito peso e teima, sem nenhum constrangimento ou remorso, em transferir responsabilidades que eram suas para os outros membros da sociedade.

Fonte: Agro DBO 98

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