17 de agosto de 2017
Milho
11 de agosto de 2017 - 10:27

Etanol de milho amplia opções de produtores em MT

Primeira usina dedicada ao biocombustível no país, FS Bioenergia consumirá 600 mil toneladas do grão por ano para produzir 240 milhões de litros de etanol

Thuany Coelho

A FS Bioenergia, primeira usina exclusiva de etanol de milho do país, pode trazer mais estabilidade ao produtor de milho da região de Lucas do Rio Verde, diz Henrique Ubrig, presidente da empresa. "Estamos começando a criar raízes com esses fornecedores. Eles estão acompanhando o produto, tem alguns que trazem o grão e buscam farelo, e como já estamos negociando a segunda safra de 2018, ele também tem a segurança de ter o preço fechado". Segundo ele, a comercialização da safrinha 2018 tem ajudado os produtores a conseguir crédito nos bancos sob essa garantia de pagamento da FS.

A usina, que será inaugurada oficialmente nesta sexta-feira, 11, consumirá cerca de 50 mil toneladas de milho por mês, 600 mil t por ano. Isso para produzir 240 milhões de t de etanol, além de subprodutos. No momento, toda a compra de milho é feita em um raio de 35, 40 km, para evitar altos custos com frete. "O segredo é estar perto da matéria-prima”, afirma Ubrig. Para o vice-presidente, Rafael Abud, o produtor local também ganha em não ter que deslocar seu produto para fora do Estado, já que o consumo interno é muito menor do que o total produzido - que deve chegar a quase 30 milhões de toneladas na safra 2016/2017. “O etanol de milho dá um novo destino para esse grão e economia com frete. É uma situação de ganho para os dois lados, porque transformamos em produtos de alto valor agregado e o produtor tem uma demanda cativa, estabilidade de preço e liquidez no mercado interno”, relata.

Para ele, é difícil estabelecer um patamar de preços do milho para que a produção de etanol seja viável economicamente. "Além da variável milho,  temos que levar em conta o preço do próprio etanol, do farelo, energia, DDGs, para ver se compensa. Mas um preço que remunere o produtor, que não é o patamar atual (cerca de R$ 16 ou pouco mais) é bom paratodos. Mas que se o preço dobra, chega a R$ 30/32 como ano passado, daí fica difícil e não sustentável".

O destino do etanol não será apenas a região Centro-Oeste. “A demanda no Centro-Oeste ainda é baixa, então vamos pensar também nos mercados do Norte”. A ideia, porém, é expandir para outros locais, como o Nordeste, que segundo o executivo importa etanol de milho dos Estados Unidos. Para isso, está nos planos dobrar a produção a partir do ano que vem. "Mas como é a primeira dedicada totalmente ao milho, precisamos antes avaliar como está o funcionamento, se ficou dentro das expectativas de custos, mas já temos isso no horizonte". Segundo o presidente, o objetivo não é rivalizar com a cana, mas ter um jogo em paralelo em mercados onde o milho é mais competitivo.

Adaptações - A empresa, que é uma parceria da brasileira Fiagril e da norte-americana Summit, importou tecnologia dos Estados Unidos - país com histórico de usinas do tipo - para se instalar no Brasil. Foram necessárias adaptações, porém. A principal é a forma de “fazer vapor”. Enquanto os EUA utilizam gás, a FS investiu em biomassa. “No nosso caso, a queima dos cavacos de eucalipto esquenta a água e produz o vapor. Isso abre espaço também para um aumento da produção de eucalipto na região, até porque é uma cultura que não rivaliza diretamente com a soja pelas necessidades diferentes em relação a solo”, conta Ubrig.

Subprodutos - Além do etanol, a FS Bioenergia produzirá óleo de milho - inicialmente para biodiesel -, energia elétrica - excedente do necessário para consumo na planta - e DDGS (Grãos Destilados de Milho e Solúveis) de alta proteína e alta fibra. “Vamos multiplicar o valor do milho. O que valia 100 vamos transformar em 300, 400”, diz o presidente. Os DDGS de alta proteína, que podem ser destinados à alimentação animal, têm teor proteico de 42% a 45% para competir com o farelo de soja, segundo a empresa. Já os de alta fibra são divididos em secos e úmidos e já estão sendo comercializados para pecuaristas da região. A capacidade anual é de 60 mil toneladas para os de alta proteína e 120 mil t no caso de alto teor de fibra. Ouça a entrevista com o executivo e entenda melhor como a usina pode influenciar o mercado de milho:

Fonte: Portal
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