24 de novembro de 2017
Etanol de milho
12 de setembro de 2017 - 18:35

MT: oferta de biomassa é fator crítico para etanol de milho

Estudo do Imea mostra que usinas são economicamente viáveis no Estado com ponto de equilíbrio do milho entre R$ 26 e R$ 36/saca

Thuany Coelho

Com a produção recorde de milho na safra 2016/2017 e os baixos preços pagos pela commodity este ano, a procura por formas de agregar valor ao grão tem se intensificado e, nos últimos meses, o etanol de milho vem se fortalecendo como opção. Em agosto, a FS Bioenergia, primeira usina dedicada ao combustível feito a partir do cereal - que deve consumir 600 mil toneladas de milho por ano - foi inaugurada em Lucas do Rio Verde, MT. E a iniciativa deve ser seguida por outras. Nesta terça-feira, 12, o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) divulgou estudo mostrando que há viabilidade econômica para a implementação de usinas em Mato Grosso. “Se forem bem planejados e estruturados, são viáveis e podem trazer melhorias sociais e ambientais”, diz Paulo Ozaki, gerente de projetos do Imea.

O pesquisador cita o crescimento da demanda por combustíveis no país e da produção de milho e carne no Estado como bases para um cenário propício à atividade. Relatório do Imea indica que Mato Grosso deve colher mais de 38 milhões de toneladas em 2025 e o déficit de combustível no Brasil pode chegar a 11,4 bilhões de litros em 2026, de acordo com dados da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Mas dois pontos são considerados críticos pelo estudo para o sucesso das usinas: a oferta de biomassa, base para a produção de vapor necessária no processo da usina, e a logística para escoar o biocombustível para grandes centros consumidores. “No Estado, temos cerca de 176 mil hectares de eucalipto para biomassa e uma procura de 155 mil ha. É uma demanda muito justa, o que é preocupante, pois o eucalipto demora para ser colhido e, se você quer aumentar a agroindústria, precisa disso”, afirma Ozaki. No Médio-Norte, por exemplo, onde há maior presença de agroindústrias, o balanço já é negativo. Uma possibilidade que o Imea levou em consideração é das próprias usinas investirem em florestas plantadas para garantirem a biomassa para o sistema. “É um sistema que agrega muito valor. Quando o grão é transformado em etanol e DDG, agrega 3,4 vezes imediatamente e vai desenvolver também o setor florestal”, conta Glauber Silveira, presidente da Arefloresta e conselheiro da Aprosoja-MT.

A pesquisa durou um ano e meio e envolveu visitas a 11 cidades, usinas e entrevistas com mais de 70 pessoas. O Estado foi dividido em macrorregiões - norte, nordeste, noroeste, médio-norte, oeste, centro-sul e sudeste - e foram criados diferentes modelos de negócios como plantas exclusivas de etanol de milho ou flex (também com produção a partir da cana), e com ou sem produção de DDG (subproduto para ração animal). “Não podemos passar uma receita para o Estado inteiro, que é grande e tem diferenças produtivas entre as regiões, por isso a divisão”, explica Ozaki. Além disso, foram elencados possíveis perfis de investidores: produtor individual, consórcio de produtores, cooperativa e grandes investidores. A realização foi da Aprosoja-MT e do Sindalcool-MT com parceria técnica da Agroicone e da Stracta.

Na divisão por regiões, o Imea encontrou que os modelos viáveis para o médio-norte seriam mini usinas ou grandes plantas dedicadas apenas ao etanol de milho de todos os perfis de investidores. O investimento para abrir uma unidade grande ficaria na casa de R$ 450 milhões com retorno a partir do sexto ano.

Já para o sudeste, que tem maior excedente de área de biomassa e produção agropecuária forte, todas as opções financiadas por cooperativas e grandes investidores são interessantes. “Não existe modelo pronto para todas as regiões do Estado. Nas de áreas de expansão (noroeste, norte e nordeste), que não têm produção agropecuária tão forte como as outras, somente usinas exclusivas de milho e com grandes investidores funcionam”, explica Ozaki. Já o oeste e o centro-sul se mostram viáveis tanto para usinas dedicadas como para flex.

O estudo também avaliou o ponto de equilíbrio dos preços do milho e do combustível para garantir a viabilidade do negócio. Para a indústria, os preços giram entre R$ 26 e R$ 36/saca do grão no máximo e entre R$ 1,30 e R$ 1,77/litro recebido. No modelo usina exclusiva de etanol de milho no médio-norte, por exemplo, a saca do milho pode custar até R$ 35,00 que haverá viabilidade, considerando o etanol a R$ 1,98 o litro.

Viabilidades social e ambiental – A implantação de uma usina também contribui com a geração de empregos diretos - cerca de 87 no caso de uma planta exclusiva - e indiretos, que pode chegar a 14 para cada vaga direta.
Em relação aos impactos ambientais, o desenvolvimento do setor pode mudar o uso da terra, segundo o estudo, e, consequentemente, reduzir as emissões de gases do efeito estufa, além do fato do etanol ser um combustível mais limpo do que a gasolina, por exemplo. 

Para conferir o estudo completo, acesse o site do Imea

Fonte: Portal DBO

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