21 de outubro de 2017
Cana-de-açúcar
2 de outubro de 2017 - 12:50

Palha da cana pode gerar 35,5 TWh de energia

Quantidade seria suficiente para suprir 27% do consumo residencial em 2016

Cálculos realizados pelo Projeto Sucre (Sugarcane Renewable Electricity) indicam que a geração de bioeletricidade a partir da palha de cana-de-açúcar tem o potencial de produção de 35,5 TWh (Terawatt-hora) por ano. Esta quantidade poderia suprir 27% do consumo de eletricidade residencial no Brasil em 2016 ou abastecer quase todas as 28 milhões de residências do Estado de São Paulo, que consumiram um total de 38 TWh no mesmo ano, de acordo com dados do Balanço Energético Nacional (BEN) elaborado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE).

Atualmente, a eletricidade produzida a partir da biomassa é responsável por 8% da eletricidade total gerada no Brasil, que foi de 620 TWh em 2016, segundo a EPE. Portanto, o uso da palha como matéria-prima poderia levar a um incremento de cerca de 6% desse valor. O potencial se baseia nas premissas de produção de 140 kg de palha (base seca) por tonelada de cana-de-açúcar e de recolhimento de metade de toda a palha gerada na colheita da safra passada, em que foram processadas 612 milhões de toneladas de cana-de-açúcar na região do Centro-Sul do Brasil, 93% do processamento total do país, conforme informa a Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB).

Em termos ambientais, a bioeletricidade gerada pela palha seria capaz de reduzir em cerca de 2% as emissões totais de gases de efeito estufa do Brasil ao ano. Essa estimativa leva em consideração a substituição da eletricidade produzida pelas usinas termelétricas, que são comumente acionadas quando há déficit na produção das hidroelétricas no país. O crédito ambiental estimado de 38 milhões de toneladas de CO2 equivalente por ano, ou seja, a emissão de gases de efeito estufa evitada, equivale à absorção de CO2 equivalente por 233 milhões de árvores plantadas no território brasileiro, ou 140 mil hectares de Mata Atlântica.

Gerar energia elétrica a partir da palha da cana pode ser uma das alternativas para se alcançar a meta de redução das emissões em 37% até 2025, prevista no RenovaBio, programa do governo federal que visa contribuir para o cumprimento dos Compromissos Nacionalmente Determinados (NDC) pelo Brasil no âmbito do Acordo de Paris, em 2015, a partir da promoção dos biocombustíveis na matriz energética brasileira.

Esses valores revelam o potencial de contribuição da palha de cana-de-açúcar para o sistema elétrico e para a diversificação da matriz energética brasileira, que é fortemente dependente de fonte hidrológica, cuja contribuição chega a 70% da oferta total de eletricidade. Por ser submetida às condições de chuva das regiões dos reservatórios das hidrelétricas, em períodos de seca essa fonte é substituída, principalmente, pelas termoelétricas a gás natural, muito mais poluentes.

As usinas de cana-de-açúcar, empresas e agências dos setores público e privado e usuários em geral poderão estimar benefícios ambientais, como esses, assim como o custo do recolhimento da palha e as receitas obtidas com a geração de eletricidade, em uma calculadora virtual que está sendo desenvolvida pelo Projeto Sucre. Para que seja possível o cálculo, o usuário deverá inserir dados como o total de cana processada, a produtividade de palha recolhida e a distância de deslocamento da palha até a usina. A calculadora será desenvolvida a partir de resultados obtidos em análises de usinas reais que fazem parte do Projeto Sucre. A ferramenta servirá ainda para a divulgação das potencialidades do estudo realizado e para que interessados possam entrar em contato com a equipe do CTBE para solicitar informações ou avaliações mais específicas.

O Projeto Sucre tem como principal objetivo aumentar significativamente a produção de eletricidade com baixa emissão de gases de efeito estufa na indústria de cana-de-açúcar, por meio do uso da palha produzida durante a colheita. Essa é uma iniciativa do Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (CTBE), que integra o Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materias (CNPEM).

Fonte: CNPEM

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