18 de dezembro de 2017
Genética
4 de dezembro de 2017 - 15:45

O retorno da inseminação

Tudo começa com a aplicação correta da técnica de inseminação, diz Sérgio Saud. É preciso preparar bem os profissionais que inseminam as fêmeas, pois um erro na manipulação do botijão de sêmen pode afetar a lucratividade.

Sérgio Saud

A inseminação artificial vem sendo cada vez mais utilizada nos rebanhos leiteiros e, atualmente, atinge 15,5% das vacas em idade reprodutiva. Em regiões que concentram grandes bacias leiteiras, como o Rio Grande do Sul (segundo Estado com maior produção de leite), esse índice sobe para 33%. A expectativa é de que 2017 seja um ano de retomada do investimento do produtor nesta tecnologia e as vendas de sêmen cresçam em torno de 20%.

Com mais propriedades inseminando seus rebanhos, espera-se que 2018 seja um ano de maior eficiência produtiva e reprodutiva para a pecuária leiteira. Mas, para que essa expectativa se concretize, é preciso uma correta aplicação da técnica de inseminação artificial. Atualmente, usa-se quase duas doses de sêmen (1,8), em média, para inseminar uma vaca. O recomendado é que esse índice seja reduzido para 1,2 doses por animal. Por isso, precisamos preparar bem os profissionais que inseminam as fêmeas, pois um erro na manipulação do botijão de sêmen, no descongelamento das palhetas ou no momento de introduzir o sêmen na vaca pode afetar significativamente a lucratividade da fazenda.

Existem diversos cursos de IA recomendados pela ASBIA (Associação Brasileira de Inseminação Artificial) no país. Durante as aulas, o inseminador aprende, por exemplo, que existe um momento mais indicado para inseminar as vacas, que é no final do cio, quando a probabilidade de fecundação é maior devido à alta fertilidade da vaca. Vale lembrar que vacas observadas em cio pela manhã deverão ser inseminadas na tarde do mesmo dia. Já as observadas em cio à tarde devem ser inseminadas no início da manhã seguinte.

Outra medida importante para o sucesso da técnica é estabelecer uma sequência da inseminação. Além disso, o inseminador deve examinar atentamente a ficha do animal e verificar as últimas ocorrências. Em caso de qualquer anormalidade ou se a vaca pariu há menos de 45 dias, não realize a inseminação.

Ao conter o animal no tronco, faça o exame do muco, que deve ser semelhante à clara de ovo. Se detectar qualquer alteração, não insemine a vaca e anote essa observação na ficha do animal, comunicando o fato ao técnico responsável.

Todo o material a ser utilizado deve estar sobre uma mesa ou balcão para aperfeiçoar o serviço. É preciso usar luvas e ter um pedaço de papel para secagem posterior da palheta. O aplicador universal serve tanto para a palheta média quanto para a fina. Verifique se a extremidade está adequada para o tipo de palheta. É muito importante realizar uma higienização da vaca, fazendo a limpeza do reto da fêmea. A vulva deve ser limpa, em seguida, com um papel.

O passo seguinte é identificar o sêmen do touro a ser utilizado e retirar a dose com o auxílio de uma pinça. Não ultrapasse 5 segundos para este procedimento. Em seguida mergulhe a palheta com a extremidade da bucha voltada para baixo, em água a temperatura entre 35 e 37° C por 30 segundos. É importante cumprir à risca estas recomendações.

Um termômetro deve ser usado para verificar constantemente a temperatura da água para que não ultrapasse os limites especificados acima. Pode-se também utilizar um descongelador eletrônico que mantém a temperatura da água constante. É importante destacar que o sêmen nunca deve ser recongelado.

Depois de ser descongelada, a palheta deve ser secada com papel toalha ou higiênico antes de ter a extremidade cortada e ser utilizada para inseminar a vaca. Todos os dados da inseminação devem ser anotados na ficha do animal (Data da inseminação, período, nome do touro, nome do inseminador, etc.). É preciso redobrar os cuidados com a higiene durante todo o procedimento. Periodicamente faça uma limpeza do aplicador universal com álcool. Os materiais não devem encostar nas instalações, roupas, animais e outros objetos que podem contaminar o sêmen.

E lembre-se. Quanto mais capacitada é a equipe, maiores as chances de ter melhores índices de prenhez no rebanho. Por isso, vale a pena participar regularmente de cursos de capacitação.
 

Fonte: Mundo do Leite 88

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