26 de abril de 2018
Ação Ideal
28 de março de 2018 - 14:20

Valorize seu chão!

Marcelo de Rezende afirma que a utilização de plantas tropicais de alto potencial produtivo tem viabilizado a pecuária de leite mesmo em micro-propriedades. Comumente encontradas no sul do país, elas imprimem a esta região a maior taxa de crescimento do país.

Marcelo de Rezende

Alguns anos atrás escrevi sobre os fatores de produção a serem manipulados na produção de leite (terra, capital, trabalho e conhecimento). Voltaremos ao tema destacando a terra, fator que merece um destaque especial pois encerra toda a eficiência ou ineficiência da aplicação dos demais fatores, com impacto direto sobre a produtividade e consequente rentabilidade da atividade.

De maneira geral a terra não é o principal fator de limitação ao crescimento da atividade leiteira nas nossas propriedades, seja pelo tamanho médio das áreas disponíveis para a atividade, pelo nível de fertilidade inicial das áreas ou por seu valor monetário. As propriedades de menor extensão de terra, comumente encontradas no sul do país, imprimem a esta região a maior taxa de crescimento e de profissionalização da atividade do país, demonstrando que propriedades de menor área são viáveis para a produção de leite.

A utilização de plantas tropicais de alto potencial produtivo tem viabilizado a atividade mesmo em micro- -propriedades, cuja capacidade de suporte pode ser aumentada em várias vezes em relação ao manejo e ao uso tradicional de plantas menos produtivas. O tipo de solo e a fertilidade também não têm sido fatores impeditivos para a produção de leite, que se tem utilizado cada vez mais da adição de matéria orgânica ao solo (principalmente dejetos de aves e suínos) para a recuperação rápida da fertilidade mesmo em regiões de terras exauridas. Em relação ao valor monetário, o Brasil possui preços de terras significativamente menores que países tradicionais na produção de leite, como Estados Unidos, Nova Zelândia e os países da União Europeia.

Mesmo com preços ainda acessíveis, a valorização da terra tem colocado cada vez mais pressão sobre a atividade leiteira, que necessita ser competitiva em relação às outras opções produtivas do meio rural. O desenvolvimento da agricultura e os bons índices de produtividade alcançados pelos produtores exercem forte influência sobre a valorização da terra nas diversas regiões produtoras, exigindo das atividades de pecuária um maior nível de especialização e eficiência, capaz de oferecer a seus proprietários uma remuneração sobre o capital investido ao menos próxima daquela oferecida pela agricultura. Uma vez que a eficiência na produção animal passa necessariamente pelo sucesso na produção de forragem, independentemente do sistema de produção adotado, são obrigatórios investimentos em fertilidade e manejo adequado do solo na atividade pecuária, e quanto menores forem esses investimentos, maiores serão as necessidades de área (e, portanto, de capital) para uma mesma produção animal.

O fator terra ainda é explorado de maneira extremamente ineficiente na pecuária, exigindo maior nível de atenção em relação à conservação e recuperação da fertilidade do solo, ações que farão com que a atividade demande menores áreas para a produção, deixando para trás a caraterística comumente extrativista da atividade. Fatores relacionados à preservação ambiental e à alta valorização das áreas agricultáveis cada vez mais têm obrigado os produtores de leite a buscar alternativas que promovam a eficiência no uso desse precioso bem.

Fonte: Mundo do Leite 90

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