18 de dezembro de 2017
Reportagem de capa
6 de outubro de 2017 - 15:15

Capim arretado!

Com manejo cuidadoso da pastagem, irrigação adequada e favorecida pela temperatura e luminosidade, fazenda no Ceará consegue lotação de até 15 UA por hectare na época seca do ano.

Fernanda Yoneya

No município cearense de Paracuru, a Fazenda Grangeiro chama a atenção pelo pasto farto o ano inteiro. Na região, o período de chuvas, que neste ano terminou em maio, é de aproximadamente três meses, mas, graças ao investimento em sistema de irrigação, a produtora de leite Rita Luiza Marinho Grangeiro, proprietária e administradora da fazenda, consegue fornecer um capim de boa qualidade para o rebanho todos os meses do ano. O “segredo”, afirma Rita, além do manejo dispensado à pastagem - o capim é tratado como uma cultura -, está nas condições de temperatura e luminosidade da região. “Isso significa que, com tecnologia e gestão, é possível produzir forragem e, consequentemente, leite durante todo o ano”, diz a produtora. As pastagens na Fazenda Grangeiro são 100% irrigadas. Ou melhor, fertiirrigadas, já que Rita aproveita para irrigar e adubar o pasto ao mesmo tempo.

Com uma “capacidade hídrica segura” - obtida com o reaproveitamento de boa parte da água utilizada na propriedade (limpeza das instalações e banhos dos animais, por exemplo) e com um moderno sistema de irrigação automatizado - e a temperatura variando muito pouco, Rita consegue o que ela chama de “segurança alimentar” para as vacas. O diferencial do Ceará é ter uma temperatura noturna acima de 22 graus durante todo o ano, e luminosidade quase que constante. Esses dois fatores favorecem o desenvolvimento das forragei ras tropicais, que não entram em dormência e produzem constantemente, podendo chegar até a 65 toneladas de matéria seca por hectare/ano em áreas irrigadas.

“Mesmo no período chuvoso consigo colocar 10 unidade animal (UA)/hectare/ano e, nos meses restantes do ano, conseguimos colocar até 15 UA/hectare/ ano, o que nos dá uma média de 12 a 13 UA/hectare/ ano”, calcula. Na época das chuvas, Rita diz que diminui a lotação nos piquetes, uma vez que o crescimento das forrageiras é reduzido por causa da amplitude térmica mais baixa. Outro cuidado no período das águas é em relação à lama, por causa do pisoteio das vacas, indo e vindo aos piquetes, e principalmente nas áreas de sombra. O problema é minimizado com um bom manejo das áreas de corredores e das áreas de sombra no período da seca, aterrando essas áreas, deixando-as “embauladas”, e aplicando um pouco de calcário para compactar.
 

A matéria completa está na edição de outubro da Revista Mundo do Leite. Assinantes também podem lê-la na edição digital.

Fonte: Mundo do Leite 87

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