18 de dezembro de 2017
Entrevista
4 de dezembro de 2017 - 15:23

Entrevista

O professor Paulo Machado, diretor da Clínica do Leite, da Esalq, fala sobre a evolução dos cuidados com a qualidade do produto. Atualmente, segundo ele, apenas 60% do leite consumido atende aos requisitos básicos.

Paulo Machado

O engenheiro agrônomo Paulo Machado bem poderia dizer que em suas veias corre leite. Desde 1974, quando se formou, pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), fincou pé nos estábulos e de lá não saiu mais, seja atuando na parte financeira, em nutrição do rebanho, em gestão da propriedade ou na qualidade da matéria-prima. Mas seu grande feito foi a idealização e fundação, em 1996, da Clínica do Leite, que funciona na Esalq. Voltada à análise de leite e à capacitação, ela é hoje o maior laboratório do setor no País. Passam por ali mensalmente 300 mil amostras, provenientes de 460 indústrias e fazendas. Tal volume equivale a 35% do leite consumido no Brasil, ou 12 bilhões de litros/ano. Nesta entrevista, vamos conhecer um pouco do trabalho da Clínica e do próprio Paulo Machado, seu idealizador e fundador.

Mundo do Leite – Como surgiu a Clínica do Leite?

Paulo Machado – Na década de 1980 eu morei um tempo nos Estados Unidos, onde fiz mestrado, doutorado e livre docência, com temas voltados à pecuária leiteira. Ali, trabalhei em um laboratório de análise de leite. Quanto voltei para o Brasil, já na década de 1990, trouxe a ideia e comecei a procurar recursos, sozinho, para erguer o projeto. Percorri o Brasil inteiro. Uma das primeiras pessoas que me ajudaram foi o dr. Lair Antônio de Souza (já falecido), do Laticínios Xandó, de Araras, SP. Ele doou uma verba para a Esalq para que pudéssemos comprar os primeiros equipamentos de análise de leite e ajudou também na infraestrutura, como móveis, ar condicionado, carteiras para as aulas, Datashow, etc. A Clínica foi montada na própria Fazenda Colorado. Com o tempo, adquirimos mais equipamentos, já com verba proveniente das análises e de cursos, e também construímos outros prédios. Grande parte do dinheiro investido aqui provém de laticínios e do produtor de leite.

ML – Não existia nada semelhante no País?

PM – Para análise de leite, já havia os laboratórios da Associação Brasileira dos Criadores de Gado Holandês, em Curitiba, PR, e outro em Passo Fundo, RS. Só que não eram muito grandes. Com os recursos da Fapesp e do dr. Lair, montamos o laboratório e assim o País passou a contar com esses três, que deram início à Rede Brasileira de Laboratórios de Controle de Qualidade de Leite (RBQL), ligada ao Ministério da Agricultura, que também contribuiu, posteriormente, para a aquisição de mais equipamentos para a Clínica. Atualmente, nove laboratórios fazem parte da RBQL, que teve origem naqueles três iniciais.

ML – Havia interesse por qualidade de leite naquela época?

PM – Muito pouca gente se interessava, até por desconhecimento do que se tratava a análise de qualidade, que envolve a contagem bacteriana total (CBT), a contagem de células somáticas (CCS) e porcentagem de sólidos totais e proteína, entre outros aspectos. Para divulgar a importância disso, eu viajei o País fazendo palestras e tentando mostrar tanto para indústrias quanto para os produtores o que era a qualidade do leite, como um bom leite aumenta o rendimento na indústria, etc. Logo no início conseguimos que grandes laticínios aderissem à Clínica do Leite e passassem a fazer análises conosco. Isso tornou o laboratório viável.

A matéria completa está na edição de dezembro da Revista Mundo do Leite. Assinantes também podem lê-la na edição digital.

Fonte: Mundo do Leite 88

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