18 de dezembro de 2017
Pesquisa
28 de fevereiro de 2014 - 17:26

Nanotecnologia é a nova ferramenta no combate à mastite

Para aumentar a eficiência do antibiótico no controle da mastite, a equipe de Saúde Animal da Embrapa, em parceria com a CiPharma/Ufop conduz um programa que desde 2007 trabalha no desenvolvimento de nanocápsulas que sejam capazes de direcionar o antibiótico para compartimentos biológicos no interior da glândula mamária.

Mônica Costa

A mastite está entre as doenças de maior impacto econômico na pecuária leiteira no País e no mundo. A inflamação das glândulas mamárias pode reduzir a produção e a qualidade do leite e causar prejuízos de até 25% no faturamento das propriedades. Isso sem contar o risco de a fêmea a perder a glândula mamária ou até morrer.

Em cerca de 90% dos casos o distúrbio é provocado por bactérias. Por isso, o método mais comum de combate à doença é a administração de antibióticos, pela via intramamária (o remédio é posto na ponta do dedo do tratador e introduzido diretamente nos orifícios do teto do animal) podendo, também, ser conjugado ou não com a administração sistêmica (via injeção muscular ou subcutânea) do antibiótico. Nos dois casos, o índice de cura pode variar de 35% a 90%, o que explica o fato de muitas vacas com mastite tratadas com antibióticos convencionais apresentarem os sinais da enfermidade cinco a dez dias após a aplicação do intramamário. “Isso acontece porque os antibióticos nem sempre conseguem vencer de forma eficiente todas as barreiras biológicas existentes na glândula mamária, como, por exemplo, as membranas das células fagocitárias – a primeira linha de defesa do organismo contra infecções que ‘comem’ as bactérias”, explica o médico veterinário Humberto Brandão, pesquisador e responsável pelo Laboratório de Nanotecnologia Aplicada à Saúde e Produção Animal da Embrapa Gado de Leite, em Juiz de Fora, MG. O pesquisador continua: “Os patógenos do tipo Staphylococcus aureus conseguem sobreviver dentro das células fagocitárias e, quando estas morrem, recolonizam a glândula mamária.”

Para aumentar a eficiência do antibiótico no controle da mastite, a equipe de Saúde Animal da Embrapa, em parceria com a Escola de Farmácia da Universidade Federal de Ouro Preto (CiPharma/Ufop), também em Minas Gerais, conduz um programa que desde 2007 trabalha no desenvolvimento de nanocápsulas que sejam capazes de direcionar o antibiótico para compartimentos biológicos no interior da glândula mamária.

Segundo Brandão, no método convencional há o risco de exposição das bactérias a subdosagens de antibiótico, o que se transforma em um campo fértil para a seleção de bactérias resistentes. “A grande vantagem das nanocápsulas é que elas são capazes vencer as barreiras biológicas e romper as membranas que protegem as bactérias dentro das células fagocitárias, liberando o antibiótico lá dentro”, afirma.  Para saber mais leia a edição  impressa de  Mundo do Leite 65.


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