25 de abril de 2018
Reportagem de capa
28 de março de 2018 - 14:58

O ponto alto do capim

Em entrevista, o professor Sila Carneiro, do Departamento de Zootecnia da Esalq, fala sobre a importância de manejar bem o pasto; se o capim for colhido no tempo certo, pode aumentar em 50% a produção de leite/ha.

Entrevista: Dr. Sila Carneiro

Engenheiro agrônomo formado pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz em 1986, o professor Sila Carneiro fez mestrado no Departamento de Zootecnia da Esalq em 1991 e em seguida prestou concurso e foi admitido como docente da instituição. Fez doutorado na Massey University, na Nova Zelândia. Foi lá que surgiu o interesse e o treinamento na área de pesquisa que ele desenvolve hoje, com plantas forrageiras e pastagens. O professor Sila recebeu a equipe da Mundo do Leite logo após uma aula no departamento.

Mundo do Leite – O que o senhor costuma dizer aos alunos?
Sila Carneiro –
Basicamente, as pessoas estão muito preocupadas com disciplinas mais profissionalizantes, disciplinas finais, como forragicultura, no que diz respeito a manejo da pastagem, manejo do pastejo, adubação, conservação, suplementação. São assuntos extremamente importantes, mas são acessórios. Planta e animal não respondem à quantidade de adubo pela quantidade de adubo. Não respondem ao tipo de suplemento pelo tipo de suplemento. Fertilizante, irrigação, são formas de você propiciar, à planta no campo, ser mantida numa determinada condição, determinada altura, determinada estrutura, porque é essa altura, é essa estrutura que determina quanto a planta cresce, de que jeito ela cresce, que tipo de componente ela acumula… Essas características determinam quanto o animal come, como ele consome, qual é a ingestão de nutrientes que ele tem, que é o que acaba determinando o quanto de desempenho ele vai obter. Adubação, irrigação, suplementação, conservação, são todos meios ou ferramentas de que o técnico dispõe para poder implementar, manter ou ajustar a forma como o pasto fica na área. É uma combinação de fatores de produção que deveria ter como lógica gerar uma condição de pasto ótima para atender o objetivo que o produtor tem de produção.

ML – E isso tem sido compreendido e aplicado…
SC –
Já faz alguns anos que esse tipo de estudo vem sendo feito. Eu voltei ao Brasil em 1994, e naquela época existia o paradigma do sistema intensivo de produção, aquele em que o método de pastejo é o rotativo, o pasto é adubado com nitrogênio, é irrigado, a rotação é feita respeitando uma sequência de piquetes, na ordem cronológica, em um número de dias pré- -determinado em função do cultivar e da espécie – 28, 30, 35 dias. Na realidade, isso funciona muito bem quando o pasto da pessoa cresce devagar. Tanto faz colher a planta no ponto certo ditado pela planta ou colher no calendário, 30 dias, 35 dias. Pra quem não fazia o controle isso é um avanço quântico em termos de gestão da fazenda, de mudança de paradigma de gestão, ou seja, como controlar para poder produzir. Mas à medida que o ambiente melhora, com os animais fazendo a desfolha de maneira mais uniforme, concentrando a excreta e a urina num determinado lugar, o produtor se predispondo a jogar fertilizante no pasto, isso, em questão de um ano, dois anos, melhora muito a condição de crescimento das plantas no pasto. E aí, na mesma área, elas passam a crescer numa velocidade muito maior. E elas crescendo mais rápido, o produtor começa a sentir sintomas que antes ele não tinha, quais sejam, a dificuldade de rebaixar o pasto, a necessidade de fazer repasse o tempo inteiro, o pasto fica muito alto e acumula colmo, talo, e ele se vê na necessidade de roçar o pasto. O indivíduo compra uma roçadeira e acha que aquela é a solução perfeita pra fazenda, ele tá feliz roçando pasto todo ano. Na realidade, quando isso acontece, é sinal que ele realizou o benefício do primeiro investimento, que é organizar a colheita. E ele está pronto para entender, agora, por meio da sinalização do sistema, que aquilo que ele assumia como controle, que era fazer a rotação, no sentido certo, respeitando a cronologia no tempo fixo, é agora um problema sério, porque a planta não reconhece cronologia, ela não cresce em função de dias, ela cresce em função de condição de crescimento: água, luz, temperatura.

A matéria completa está na edição de abril/maio da Revista Mundo do Leite. Assinantes também podem lê-la na edição digital.

Fonte: Mundo do Leite 90

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