18 de dezembro de 2017
Pastagem
4 de dezembro de 2017 - 14:30

Pastagem sem milagres

Produtor de Goiás viu sua área de pasto ser reduzida de 10 para 2 hectares enquanto as vacas saltaram de uma produção de 6 litros por animal/dia para 20 litros por animal/dia. Milagre? Não: adubação.

Fernanda Yoneya

Há quatro anos, o cenário na Fazenda São Domingos, no município de Anicuns, em Goiás, era de uma grande área destinada ao rebanho leiteiro para uma produtividade baixa. As vacas eram criadas a pasto, mas não era adotado nenhum tipo de manejo. A propriedade, que vinha de geração em geração, passou a não dar mais o lucro esperado e o produtor Thiago Rodrigues de Almeida pensou em deixar a atividade leiteira, “uma herança de família. Sou produtor de leite desde que me conheço por gente, mas a fazenda precisava mudar. A área era grande para uma produtividade baixa. O manejo era zero e não estava compensando”, lembra o produtor.

Ele conta que buscou informações para tentar melhorar a gestão e o planejamento da propriedade e, ao conhecer o programa Balde Cheio, da Embrapa Pecuária Sudeste, a primeira recomendação dos técnicos do projeto foi investir na adubação da pastagem. “Foi feito um diagnóstico da propriedade, um levantamento das condições da fazenda. Aí entrou a análise de solo”, afirma o pecuarista. Atualmente, a análise de solo, realizada pelo menos uma vez por ano, é indispensável na São Domingos.

Almeida comemora os resultados: hoje a propriedade mantém rebanho (gado holandês, girolando e jersolando) de 31 animais, sendo 24 vacas em lactação. A produtividade é de 20 litros/animal/dia em área de 2 hectares de pasto - o capim é o mombaça, indicado justamente para áreas de maior fertilidade. A produtividade de matéria seca é de 20 a 23 toneladas por hectare/ano. Quatro anos atrás, diz o pecuarista, a área de pastagem era de 10 a 12 hectares, o rebanho era de 42 vacas em lactação e a produtividade não chegava a 6 litros/animal/ dia.

Fazer o planejamento da adubação, de acordo com a espécie forrageira mais adequada e com base na análise de solo, é uma forma de saber o custo-benefício da prática. Com o resultado da análise de solo em mãos, Almeida programa a aplicação de calcário, de adubo orgânico e adubo químico. A propriedade possui 22 piquetes e, no período das águas, ele “roda” as vacas no mesmo piquete por 24 horas, com um intervalo de 21 dias até o retorno dos animais. “A cada saída dos piquetes, aplico ureia, como manutenção. O capim cresce com a folha larga”, explica o produtor.

O zootecnista Luizmar Borges de Souza Júnior, técnico de campo do programa Senar Mais Leite, afirma que outra vantagem de uma pastagem bem adubada é a economia com alimento concentrado. “Geralmente, o produtor usa uma ração com 24%, 25% de proteína bruta. Um pasto com uma adubação pesada – associado à lotação adequada e ao respeito à altura correta da planta na entrada e na saída dos animais – apresenta índices de proteína bruta de 15%, 18%, 22%, o que reduz a despesa com concentrado”, diz o técnico.

A matéria completa está na edição de dezembro da Revista Mundo do Leite. Assinantes também podem lê-la na edição digital.
 

Fonte: Mundo do Leite 88

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