18 de dezembro de 2017
Reportagem de capa
4 de dezembro de 2017 - 14:06

Tudo de bom

Estímulos táteis, ao imitar os cuidados maternos, reduzem o estresse de bezerras e novilhas, deixando-as mais saudáveis, mansas e produtivas na vida adulta. O manejo é simples e potencializa o bem-estar animal

Roberto Nunes Filho

Um manejo bastante simples e acessível está trazendo resultados satisfatórios para algumas fazendas brasileiras e potencializando os princípios de bem-estar animal nestas propriedades. Trata-se de uma técnica de estimulação tátil em bezerras e novilhas, capaz de melhorar a qualidade de vida do rebanho leiteiro e, consequentemente, a rentabilidade do produtor. A simplicidade mencionada acima, no entanto, esbarra em dois grandes desafios: mudança de cultura da fazenda e capacitação da mão de obra.

O comportamento natural das vacas é lamber os bezerros. A técnica de estimulação tátil, portanto, nada mais é do que uma simulação desta conduta, realizada com o auxílio de uma escova ou com as próprias mãos. Tal contato desencadeia importantes reações químicas no organismo do animal que justificam a importância deste manejo. É aí que está o segredo.

“A estimulação realizada nos mamíferos produz ocitocina e neurotransmissores, que são substâncias químicas que facilitam a transmissão de impulsos nervosos no cérebro. Além disso, amplia a concentração de imunoglobulina, o que melhora a saúde do animal e potencializa o seu ganho de peso”, explica a zootecnista e pesquisadora do Grupo de Estudos e Pesquisas em Etologia e Ecologia Animal (Etco), Lívia Carolina Magalhães Silva. “Notamos ainda que essa prática promove o relaxamento das bezerras, viabilizando respostas comportamentais desejáveis, como a docilidade, por exemplo.”

Trabalhos conduzidos por Lívia mostram que os ganhos proporcionados ao rebanho por meio da escovação retornam à propriedade. Do ponto de vista de manejo, muitos procedimentos são otimizados, já que o trato de um animal mais tranquilo e saudável facilita a rotina dos funcionários. Em termos financeiros, o retorno também é notável. “A prática regular da estimulação tátil, associada a outros procedimentos em prol do bem-estar animal, reduz a mortalidade e morbidade no rebanho. Custos com medicamentos e perdas de animais, portanto, são reduzidos. Além disso, quando estas fêmeas são introduzidas na ordenha, elas não mais necessitam da aplicação de ocitocina exógena para estimular a descida do leite. Observamos que o uso deste recurso praticamente zerou nas fazendas que adotaram a técnica.” O procedimento de escovação é bastante simples. Nas bezerras, o recomendado é que aconteça enquanto elas bebem leite. “Cerca de um minuto por animal é o suficiente. O importante, neste caso, é a regularidade. Vale destacar também que um tratador atende bem 50 cabeças”, recomenda a consultora. Já nas novilhas no pré- -parto, tal estimulação acontece na sala de ordenha, em um processo de adaptação realizado antes da lactação que está descrito a seguir.

A matéria completa está na edição de dezembro da Revista Mundo do Leite. Assinantes também podem lê-la na edição digital.

Fonte: Mundo do Leite 88

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