21 de outubro de 2017
Colostro
26 de junho de 2017 - 17:09

A importância da colostragem

É preciso cuidar da qualidade do colostro, pois ele é essencial para a resistência do bezerro nas primeiras semanas de vida

Thuany Coelho

Secretado pelas vacas nos primeiros dias após o parto, o colostro é determinante na saúde dos bezerros. Como a placenta de ruminantes não admite a passagem de macromoléculas, os bezerros não recebem os anticorpos necessários durante a gestação. Com isso, é a colostragem que vai garantir a imunidade passiva do recém-nascido nas primeiras semanas de vida, diminuindo os riscos de diarreia e várias doenças, até que ele desenvolva seu próprio sistema imune. “Também é importante para a nutrição, pois eles têm uma reserva energética baixa quando nascem e precisam da gordura do colostro para termorregular a temperatura”, diz Rafael Azevedo, gerente de produto da Alta Genetics.

O colostro tem menos lactose que o leite normal, mas é mais rico em gordura, proteínas (destaque para a imunoglobulina G), vitaminas e minerais. O ideal é que ele seja administrado logo após o nascimento do bezerro, pois é nesse período que ocorre a máxima absorção dos nutrientes. Segundo uma pesquisa de 1991, depois de seis horas de vida, a taxa de eficiência de absorção dos nutrientes cai para cerca de 10%. Após 24h, cai para zero. 

Manuel Campos, professor do Departamento de Microbiologia Veterinária da Universidade de Saskatchewan, no Canadá, e consultor da Saskatoon Colostrum, recomenda que o colostro seja fornecido via mamadeira. Dessa forma, diminui-se o risco de infecções - caso a mama não esteja limpa, pode ocorrer transmissão de doenças - e é possível verificar antes a qualidade do colostro e o quanto o recém-nascido está ingerindo. “Algumas pessoas ainda têm receio de separar o bezerro da mãe, mas estudos já mostram que é melhor”, diz Rafael Azevedo, gerente de produto da Alta Genetics.

Há diversos fatores de risco de contaminação para o bezerro em suas primeiras horas de vida. Por isso, é essencial que boas condições de higiene sejam preservadas durante e após o parto na área de maternidade. Já para evitar a contaminação do colostro por agentes infecciosos, é essencial limpar e desinfetar o úbere, o equipamento de ordenha e todos os outros usados na coleta, armazenamento e fornecimento do colostro, além de usar o colostro imediatamente após a retirada ou então refrigerar ou pasteurizar o líquido de forma adequada. Um colostro que fica exposto no balde após a coleta, por exemplo, pode ser infectado e transmitir isso para o bezerro.

Segundo Azevedo, a recomendação mínima é de 100 g de Imunoglobulina G (IgG) por bezerro recém-nascido. Mas a concentração da proteína varia em cada colostro, sendo considerado de alta qualidade aquele com índice acima de 50 mg/mL. “Mas apenas 7% das fazendas utilizam ferramentas de medição de qualidade do colostro”, afirma Azevedo. As taxas de gordura e de agentes infecciosos só conseguem ser medidas em laboratório.

Colostro em pó

Produzido pela Saskatoon Colostrum e lançado pela Alta no Brasil este ano, o colostro em pó é feito a partir do produto natural, que recebe tratamento por calor para eliminar microrganismos causadores de doenças e depois é seco por pulverização em um processo chamado "spray dried". Segundo Azevedo, o produto assegura que o bezerro receberá um colostro de qualidade - sem agentes infecciosos e com boas taxas de gordura e imunoglobulina - e no tempo certo. "Você consegue preparar ele em dez minutos e já fornecê-lo para o bezerro. Depois, você tem tempo para coletar o colostro da vaca e dar para ele mais tarde, caso seja de boa qualidade, mas já com a certeza de que o bezerro está imunizado", diz o gerente do produto.

A indicação é de que o colostro seja fornecido via mamadeira - é importante que ela seja de qualidade e esteja higienizada. Nesse caso, o recomendado é uma dose (um pacote de 470 g, que garante 100 g de Imunoglobulina G). Caso seja utilizada sonda esofágica, o mínimo sobe para uma dose e meia. Para bezerros resultado de fertilização in vitro, a recomendação é de pelo menos dois pacotes. O valor da dose é de R$ 180. Como o produto tem vida útil de três anos, pode ser comprado e estocado para ser utilizado no futuro. Segundo a Alta, além de gado de leite e corte, o produto também vem sendo procurado para uso em caprinos e ovinos.

O preparo deve ser feito com água filtrada ou mineral em uma temperatura entre 43ºC a 49ºC. "Abaixo disso, o bezerro rejeitará o colostro e acima há o risco de desnaturação das proteínas", explica Azevedo. A mistura pode ser realizada com um batedor (fouet) ou com um mixer elétrico em baixa velocidade e o produto deve ficar com a mesma viscosidade da versão fresca.

Fonte: Portal DBO

Comentário