26 de setembro de 2017
Leite
14 de março de 2017 - 17:36

Leite Compen$ado volta a ferver no RS

Na 12ª etapa da operação foram cumpridos 5 mandados de prisão e 4 de busca e apreensão

O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MP-RS) deflagrou a 12ª etapa da Operação Leite Compensado, com prisões e apreensões em cinco municípios. A ação do MP-RS ocorre desde o começo da manhã desta terça-feira, 14. Os alvos nesta nova etapa estão em Nova Araçá, Casca, Marau, Estrela e Travesseiro, na região Nordeste.

As buscas estão sendo realizadas na Indústria de Laticínios Rancho Belo Ltda, em Travesseiro, que fabrica leite UHT integral envazado pela marca dos supermercados Dia%, além de leite, queijo e creme de leite da marca Rancho Belo.

Outro alvo é a Laticínios Modena, em Nova Araçá, de nome fantasia Bonilé Alimentos e que fabrica creme de leite industrial e queijo. Em Casca, a operação atinge a Laticínios C&P, nome fantasia Princesul, que fabrica queijo, e em Estrela o alvo é a Transportadora AC Tressoldi.

Outro mandado de busca e apreensão é cumprido na sede da empresa M&M Assessoria, em Marau. A assessoria é contratada pela Modena e foi detectado, em relatório do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), que colabora na investigação, adulterações no leite cru in natura e derivados em grande parte dos postos de resfriamento e laticínios da empresa.

A operação envolve o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) Segurança Alimentar do MP-RS e tem a participação do Mapa, Receita Estadual e Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam). 

Segundo o MP-RS, as empresas são acusadas de crime organizado e comercialização de produto lácteo impróprio para consumo humano, devido "à nocividade ou pela redução do valor nutricional". Dois dos alvos de prisão preventiva já haviam sido denunciados em outras operações do MP por sonegação fiscal milionária.

O Gaeco Segurança Alimentar explica que os três laticínios recebem e repassam entre si leite cru, creme de leite e soro de creme fora dos padrões previstos pela legislação brasileira. "Muitas das cargas chegam a ser refugadas por outras empresas e acabam sendo comercializadas para estas indústrias", aponta o grupo.

"Alguns elementos da investigação apontam que carregamentos de leite que só poderiam ter como destino a alimentação de animais foram usados para a industrialização de produtos de consumo humano." O Laboratório Nacional Agropecuário do Rio Grande do Sul (Lanagro-RS) detectou índices fora dos padrões em mais de 10 Certificados Técnicos de Análise emitidos pelo Mapa realizados em leite cru, leite UHT e nata.

O MP-RS informou que os sócios-proprietários das empresas ordenavam a adição desses produtos para corrigir a acidez e eliminar microorganismos. A medida serviria para “rejuvenescer” o produto já vencido, impróprio para o consumo. A água é adicionada para que o creme de leite duro, já amanteigado, fosse novamente amolecido e misturado a outras cargas em condições melhores. Os laudos das próprias empresas eram mascarados, para que fiscalização e compradores não visualizassem os problemas. 

Fonte: Jornal do Comércio

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