25 de setembro de 2017
Silagem
12 de janeiro de 2016 - 09:17

Silagem caramelizada: Qual o significado?

Processo ocorre devido à elevação da temperatura do volumoso

Rafael Amaral

Apesar do nome “Silagem caramelizada” ser sugestivo e nos remeter ao pensamento de um doce saboroso, quando o termo caramelizado se refere à conservação de forragens, a conotação de “saboroso” se reverte para prejuízo. 

O processo de caramelização ocorre devido à elevação da temperatura da silagem e a partir desta ocorrência o açúcar presente na forragem se carameliza (“derrete como se colocássemos açúcar cristal na panela e levássemos ao fogo”). Como resultado final, geralmente é observado coloração enegrecida da silagem e no caso da silagem de milho pode-se verificar que os grãos presentes tornam-se de coloração marrom.

Este processo é muito descrito na literatura e muito encontrado nas propriedades brasileiras e do exterior. O nome para esta reação de caramelização é reação de Maillard, sendo que a mesma não só altera a coloração da silagem, mas causa grandes transformações no valor nutritivo da silagem, o qual pode afetar significativamente o desempenho animal.

A reação de Maillard é definida pela ocorrência de polimerização química não enzimática de acúcares solúveis e hemicelulose com aminoácidos da planta que foi ensilada, quando a temperatura da silagem se eleva
acima dos 40 oC de temperatura. Estes polímeros depois de formados tornam-se indisponível para o animal, sendo que a detecção do problema pode ser visualizada pelo aumento dos teores de nitrogênio insolúvel em detergente ácido (NIDA).

Os principais fatores responsáveis pela geração de tal reação são: teor de matéria seca da planta elevado, baixa eficiência no enchimento e compactação do silo e baixa qualidade da vedação. Todos esses fatores se relacionam diretamente com um único denominador, que é o oxigênio, e as explicações para tal fato são apresentadas abaixo:

• Elevado teor de matéria seca: Teor de matéria seca elevado confere silos com densidades inferiores e, dessa forma, é maior a porosidade na silagem. Silos que apresentam maior quantidade de poros (menor densidade)
são prejudicados, pois o processo de respiração da planta e de microrganismos tem maior duração, gerando maior aquecimento da massa.

• Baixa eficiência no enchimento e compactação: Caso o silo tenha baixa eficiência no seu enchimento, como por exemplo, a demora no enchimento (muitos dias abertos), a presença do oxigênio irá gerar calor novamente, pelo mesmo efeito comentado anteriormente. Já com relação a compactação do silo o problema novamente se esbarra na questão da menor densidade de silagem no silo.

• Baixa qualidade da vedação: A vedação deve ser encarada como continuidade do processo de conservação, e não como muitos encaram como sendo a parte final do processo. A lona que veda o silo está susceptível a várias intempéries que podem prejudicar o sucesso do processo de fermentação, e são elas: aves, animais, rasgos e a própria lona, que dependendo de sua qualidade permite entrada considerável de oxigênio e, novamente a história se repete, entrada de oxigênio no sistema, dá inicio ao processo de respiração microbiano, que também podemos chamar de deterioração aeróbia da silagem.

A reação de Maillard pode estar afetando a qualidade da sua silagem, vale lembrar que uma simples análise de proteína bruta não irá demonstrar diferenças em valor nutritivo, pois esta análise faz uma leitura de todo o
nitrogênio presente na silagem. Caso a silagem apresente sinais de caramelização, uma análise de NIDA deve ser requerida e juntamente ao nutricionista da propriedade checar se a produção de leite está apresentando alterações.

Zootecnista e Doutor em Ciência Animal pela Esalq/USP

Boletim da Forragem Pecege e QCF/ Esalq

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