21 de outubro de 2017
Nutrição
14 de setembro de 2017 - 18:30

A boa dobradinha do girassol e capim

O plantio em consórcio após a colheita da soja é visto como uma das boas alternativas para a safrinha no Centro-Oeste, rendendo 1.500 kg de sementes para extração de óleo e potencial para produção de 4 @ por hectare.

Maristela Franco

U m novo tipo de consórcio promete “agitar” a safrinha no Brasil. Trata-se do cultivo de girassol com capim, que está crescendo rapidamente no sul e sudeste de Goiás, onde bom número de produtores já faz integração lavoura-pecuária (ILP). Essa “dupla” de sucesso, plantada após a colheita da soja, permite produzir cerca de 1.500 kg/ha de sementes para extração de óleo e, na sequência, pastagem de qualidade, com potencial para sustentar até 4 UA/ha na seca. Segundo o pesquisador da Embrapa Cerrados, João Kluthcouski (João K), grande entusiasta da integração, o consórcio girassol-capim constitui uma das alternativas mais promissoras para a safrinha no Centro-Oeste, pois gera bom resultado financeiro e permite aproveitar uma “janela” de plantio mais tardia (15 de fevereiro a 15 de março), período já arriscado para as lavouras de milho, devido à menor incidência de chuvas.

O girassol _ cujo nome científico é Helianthus annuus _ pode ser semeado nessa época porque é uma planta versátil. Espécie da família Asteraceae, ela suporta tanto o frio quanto o calor e a seca. Por isso, pode ser plantada do norte ao sul do Brasil, mas tem se concentrado no entorno das indústrias esmagadoras, por questões de frete. Como suas sementes são volumosas e leves, demandam mais viagens para transporte. O mesmo caminhão que leva 30 t de soja, por exemplo, carrega apenas 18 t de girassol. No sul e sudeste goianos, as plantações se destinam ao abastecimento da fábrica da Caramuru Alimentos, localizada em Itumbiara, no sul de Goiás. Ela tem capacidade para esmagamento de 100.000 t/ ano de sementes dessa oleaginosa nobre, e, embora ainda não funcione a plena carga, está expandindo sua produção rapidamente. “Em 2016, processamos 30.000 t; neste ano, serão 50.000”, informa Mário Augusto Ferreira Amaral, agrônomo da empresa.

O consórcio de girassol com capim é visto com bons olhos pela Caramuru, pois permite melhor aproveitamento do solo, produz palha para o plantio direto da lavoura seguinte e eleva a receita dos produtores, muitos deles também pecuaristas. “Além disso, o capim ajuda a impedir que o girassol se torne hospedeiro do mofo branco, uma doença causada pelo fungo Sclerotinia sclerotiorum, que traz sérios danos à soja”, salienta João K. Conforme demonstraram estudos realizados em 2004, pelo pesquisador da Embrapa Jefferson Costa, a decomposição da braquiária produz ácidos orgânicos capazes de matar os escleródios, formas dormentes do fungo, que podem sobreviver por até 10 anos no solo e germinar quando encontram condições favoráveis. “Introduzindo a braquiária nas lavouras de girassol, evita-se a proliferação do mofo branco”, diz João K.

A matéria completa está na edição de setembro da Revista  DBO. Assinantes também podem lê-la na edição digital.

Fonte: DBO 443

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