18 de novembro de 2017
Sanidade
11 de julho de 2017 - 14:23

A próxima temporada da mosca-dos-chifres

Prepare-se para não errar na estratégia de combate, quando ela voltar com as chuvas e elevação da temperatura. Reportagem com especialista da Embrapa aponta como e quando a infestação deve ser atacada.

Renato Villela

Assim que as chuvas retornarem e as temperaturas começarem a subir, o produtor se verá diante de uma velha conhecida, a mosca-dos-chifres (Haematobia irritans), inseto hematófago que traz incômodo para os animais, prejudicando o seu desempenho. Enquanto ela não chega, talvez convenha se perguntar. Em que circunstâncias vale a pena controlar a praga? Qual a melhor época para realizar o controle? Que produto usar? Qual a forma mais indicada para aplicação? A resposta para essas questões não está apenas nas instituições de pesquisa, mas no dia a dia de cada propriedade. Entender o ciclo biológico da mosca é tão importante quanto observar o comportamento dos animais ou conhecer o histórico do uso de medicamentos na fazenda. Dessa forma, é possível traçar uma estratégia de combate mais eficiente e reduzir as perdas provocadas pelo inseto.

Estudos realizados sobre a mosca-dos-chifres indicam que a praga pode comprometer o desempenho dos animais de modo significativo, com redução de até 100 g no ganho de peso diário. Considerando o período de alta infestação do inseto, de novembro a abril (180 dias), época em que o clima costuma ser favorável para sua rápida proliferação, as perdas podem ultrapassar uma arroba de peso vivo. O prejuízo explícito na balança não significa necessariamente que o controle químico deva ser realizado toda vez que a mosca estiver presente (é fácil identificá-la, pois se posiciona de forma característica, com a cabeça para baixo e as asas abertas). “Muitas vezes o produtor quer ver seu animal limpo, por isso aplica o produto sempre que visualiza a mosca. É o chamado ‘tratamento estético’. Além de gastar dinheiro, a medida é inócua. Dadas as condições tropicais na maior parte do País, sempre haverá algum nível de infestação”, afirma Thadeu Barros, pesquisador da Embrapa Gado de Corte, de Campo Grande, MS.

Quando tratar

De acordo com o pesquisador, recomendam-se dois tipos de tratamento: o tático e o estratégico. O primeiro é reservado somente para situações excepcionais, como altas infestações que fugiram ao controle. A literatura internacional diz que se enquadram nesse patamar populações acima de 200 moscas/animal, onde o controle químico, portanto, se justificaria. Barros discorda. “Esse número veio dos Estados Unidos, onde as raças e o manejo são diferentes, além de o preço da carne ser outro”, diz. Segundo ele, a decisão sobre o tratamento não deve depender do número de moscas, mas do comportamento do animal, ou seja, do nível de inquietação do rebanho. “Se os animais estiverem inquietos, movimentando a cabeça contra o dorso ou a paleta, por exemplo, é sinal de que estão muito incomodados. Isso se traduz em menos tempo de pastejo e repouso e, consequentemente, menor ganho de peso”, diz. No entanto, lembra Barros, “quanto mais longe se estiver desse quadro, maior a probabilidade de o custo/benefício do tratamento não ser favorável ao produtor”.

A matéria completa está na edição de julho da Revista  DBO. Assinantes também podem lê-la na edição digital.

Fonte: DBO 441

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