18 de dezembro de 2017
Raças
11 de julho de 2017 - 13:52

Angus reforça carga com o Ultrablack

Raça sintética formada pelo cruzamento de Angus e Brangus é aposta para uso em fêmeas meio sangue Angus x Nelore para produção de carne com mais marmoreio.

Maristela Franco

Precoces, férteis e boas mães, as fêmeas ½ sangue Nelore/Angus são, na opinião de muitos, um “tesouro desperdiçado”. Quando os produtores as retêm na fazenda para reprodução, normalmente não sabem como aproveitar seu potencial genético. Esse dilema, porém, deixará de existir em breve, segundo os dirigentes da Associação Brasileira de Angus (ABA), com sede em Porto Alegre, RS. A entidade está trazendo para o Brasil a raça sintética Ultrablack, que foi criada nos Estados Unidos, em 1993, e apresenta forte expansão no norte da Austrália (veja quadro). Ela pode ser excelente alternativa para cruzamento com fêmeas F1, visando à obtenção de animais F2 com 66% de sangue Angus, cujas carcaças fornecem carne de qualidade mais próxima à dos animais puros. “O mercado estava nos pedindo isso há tempos”, garante Reynaldo Titoff Salvador, diretor do Programa Carne Angus Certificada. Segundo ele, hoje nascem anualmente 1,5 milhão de fêmeas ½ sangue Nelore/Angus no Brasil. Pelo menos 700.000 são submetidas a cruzamentos diversos, muitos não assertivos.

Com 66% de sangue taurino, o produto do cruzamento de matrizes F1 com Ultrablack não somente atenderá aos requisitos do programa da ABA, mas também fornecerá carne de padrão gourmet, com índice de marmoreio não encontrado nos ½ sangue, atendendo mercados mais exigentes. Será possível produzir esse tipo de carne em regiões não propícias à criação de raças britânicas puras, como o Brasil Central, pois os machos F2 serão mais rústicos, por terem cerca de 18,75% de sangue zebuíno (o Brangus tem 37,5%). Segundo Fábio Schuler Medeiros, gerente nacional do programa Carne Angus, alguns produtores já importaram partidas de sêmen e de embriões da raça. Há produtos nascidos e a associação deve fazer os primeiros registros genealógicos em julho. Já está se preparando para isso desde fevereiro de 2017, quando obteve autorização do Ministério da Agricultura.

Touro de combate

A raça Ultrablack está sendo trazida para o Brasil também com o objetivo de criar novas alternativas comerciais para os selecionadores de Angus, que, assim, poderão acessar mais facilmente o enorme mercado de touros do Centro-Oeste. Produzir esse sintético é relativamente simples para quem tem fêmeas Angus PO. Basta insemina-las com reprodutores Brangus PO. O passo seguinte é cruzar indivíduos Ultrablack entre si para fixação da raça. Em Estados de clima mais ameno, como São Paulo, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais, esse sintético pode ter espaço garantido, mas será necessário avaliar seu desempenho em regiões mais quentes como Goiás, Tocantins, Mato Grosso e Norte do País. A expectativa da ABA é positiva, porque a raça é rústica e se adaptou facilmente às condições do norte da Austrália, cujo clima é mais seco do que no Centro-Oeste.


A matéria completa está na edição de julho da Revista  DBO. Assinantes também podem lê-la na edição digital.

 

Fonte: DBO 441

Comentário