23 de abril de 2018
Pastagem
12 de dezembro de 2017 - 15:00

Ataque múltiplo vence a cigarrinha

Manejo integrado de pragas é a melhor estratégia para controlar a infestação do inseto nas pastagens, como mostra reportagem em fazenda mineira.

Renato Villela

Assim que percebe os primeiros sinais de amarelecimento das folhas do capim, provocado pelo ataque de cigarrinhas, o produtor se apressa para comprar um “veneno” que dê jeito na praga que está acabando com o vigor do seu pasto. O que ele não percebe é que esse “pronto atendimento” é, na verdade, tardio, e seu efeito, inócuo. É que os sinais visuais que aparecem na pastagem após a ação das cigarrinhas só ficam evidentes de duas a três semanas depois que o inseto começa a sugar a seiva e injetar toxinas nas plantas forrageiras. Esse período corresponde à fase adulta do inseto, que é o final de seu ciclo de vida. “Na maioria das vezes, o controle químico é feito sobre uma população que morrerá em poucos dias, o que não evita os prejuízos já causados pela praga”, adverte Adilson Aguiar, professor da Fazu – Faculdades Associadas de Uberaba, e consultor da Consupec – Consultoria e Planejamento Pecuário. De acordo com Aguiar, que é especialista em pastagem, para ser eficaz o combate deve ser feito quando o inseto está na fase de ninfa, o que requer seu monitoramento, e em várias frentes, dentro do que se convencionou chamar de manejo integrado de pragas, ou simplesmente MIP.

Instituído pela comunidade científica na década de 1960 com a finalidade de otimizar o combate a pragas, doenças e plantas invasoras, o MIP congrega os seguintes métodos de controle: preventivo, cultural, físico, mecânico, biológico, fisiológico e químico (veja a descrição de cada um deles no quadro da pág 82).Todas essas medidas devem ser empregadas de modo integrado, independentemente da praga em questão. Algumas dessas ações, como o método preventivo, que prevê a limpeza de máquinas e implementos antes de início do plantio numa nova área da propriedade, servem como regras gerais. Outras, por sua vez, devem se adequar à especificidade de cada praga. Para tanto, é preciso identificar o inseto e acompanhar seus níveis de infestação de modo a tomar a medida certa. “Quando a população da cigarrinha-das pastagens atingir 20 ninfas/m2 ou da cigarrinha-dos-canaviais, 5 ninfas/m2, por exemplo, significa que o controle deve ser feito para evitar danos econômicos”

Controle efetivo

Localizada no município de Jaboticatubas, região metropolitana de Belo Horizonte, MG, a Fazenda Vista Alegre implantou o MIP no final de 2013, início de 2014, durante o período chuvoso. A propriedade, de 758 ha, possui 477 ha de pastagens, dos quais 380 ha são de sequeiro e 96 ha estão sob dois pivôs centrais (48 ha cada). Dedicada à recria e engorda de machos Nelore, além de um núcleo de melhoramento genético da raça Mangalarga Marchador, a fazenda tinha um histórico de ataque severo de cigarrinha-dos-canaviais, praga ainda mais agressiva que a cigarrinha-das-pastagens (veja quadro). “O capim ficava cheio de manchas, que primeiro amarelava e depois secava”, relembra Rogério Correa da Silva, gerente da fazenda. O professor Adilson Aguiar explica que os sintomas evoluem de listas cloróticas, formando longas faixas de cor amarelo limão a esbranquiçadas nas plantas, para manchas cloróticas, que assumem tonalidades laranja e, depois, marrom (tecidos necrosados, secos). “Esses sintomas avançam da ponta para a folha inteira”

A matéria completa está na edição de dezembro da Revista DBO. Assinantes também podem lê-la na edição digital.

Fonte: DBO 446

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