25 de abril de 2018
Nutrição
12 de abril de 2018 - 14:29

Bagaço de cana dá lucro na dieta de grão inteiro

Trabalho da Universidade Federal de Lavras, MG, revela que associação do bagaço reduz custos da ração em até 10% e melhora o ganho de peso diário por causa do aumento no consumo de matéria seca.

Marina Salles

A dieta de grão de milho inteiro tem ganhado espaço no cocho dos confinamentos brasileiros, principalmente médios e pequenos, em razão da sua praticidade, já que não demanda terras para a produção de silagem, nem equipamentos de moagem de grãos ou estruturas pesadas para armazenagem e mistura de insumos. Basta juntar o milho inteiro com pellets, feitos predominantemente com farelo de soja, minerais e aditivos, e fornecê-los aos animais. Essa dieta pode ser bastante atrativa em regiões agrícolas ou quando o preço do milho cai, possibilitando esticar a estadia dos bois no confinamento a baixo custo e tirar maior proveito de eventuais picos de valorização da arroba. Trata-se, porém, de uma ração rica em amido, o que aumenta o risco de problemas metabólicos como a acidose, se o produtor não caprichar no manejo. Mas esse problema pode ser resolvido de forma simples: acrescentando um pouco de fibra à mistura.

Essa medida também ajuda a reduzir os custos da ração em 7% a 10%, conforme mostrou um trabalho recente da Universidade Federal de Lavras (Ufla), em Minas Gerais. Entre as fontes de fibra disponíveis para uso em confinamento estão vários tipos de feno e silagens, o caroço ou a torta de algodão, a casquinha de soja e o bagaço de cana in natura (BIN), este testado pela Ufla. Segundo o professor Márcio Machado Ladeira, coordenador do experimento, foram obtidos resultados positivos, tanto na engorda quanto na saúde ruminal dos bovinos, após a inclusão desse tipo de volumoso na dieta de grão inteiro. Houve incremento de 7% a 24% no ganho de peso diário dos animais, dependendo da raça, em comparação com o lote testemunha (sem bagaço de cana), por causa do aumento no consumo de matéria seca e da melhoria do metabolismo ruminal.

Efeito raça - O trabalho da Ufla foi realizado em duas etapas. Na primeira, procurou-se analisar o desempenho de machos das raças Nelore e Angus alimentados com ração de “grão inteiro” (85% de milho mais 15% de pellets) em comparação com outra convencional, contendo 30% de silagem de planta inteira de milho e 70% de concentrado à base de milho moído (peneira 3), farelo de soja e núcleo mineral. A escolha dessa dieta como “testemunha” ou referência no trabalho se deve ao fato de ela ser empregada corriqueiramente em confinamentos brasileiros. Após 28 dias de adaptação, as formulações foram fornecidas a 36 animais (18 machos Nelore e 16 Angus, subdivididos em dois lotes iguais), durante 84 dias. Como esses grupos genéticos são bastante distintos, os pesquisadores queriam saber se apresentariam diferença de desempenho entre si e em relação às dietas.

A matéria completa está na edição de abril da Revista DBO. Assinantes também podem lê-la na edição digital.

Fonte: Revista DBO 450

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