21 de fevereiro de 2018
Cadeia da Carne
8 de fevereiro de 2018 - 14:10

Boas margens para a indústria

Apesar dos escândalos, frigoríficos foram beneficiados pelas exportações e queda no valor da arroba. Crise da JBS também abriu espaço para concorrentes.

Maristela Franco

O ano de 2017 teve turbulências de sobra – Operação Carne Fraca, que resultou no embargo temporário de 22 países ao produto brasileiro; retomada da cobrança do Funrural, em abril; delações da JBS, em maio; suspensão das importações pelos Estados Unidos, em junho, e pela Rússia, em novembro. Nunca o setor foi tão violentamente atingido por escândalos de repercussão nacional e internacional, mas nem mesmo esses “torpedos” tiveram poder para detonar as margens dos frigoríficos. Conforme levantamento efetuado pela Scot Consultoria, de Bebebouro, SP, as indústrias fecharam o ano com média positiva, sempre acima do patamar histórico, que é de 20% (veja gráfico à pág. 46). Após a Operação Carne Fraca, por exemplo, que derrubou o preço da arroba, a diferença entre o preço pago pelo boi e o valor apurado com a venda da carne desossada, couro, miúdos e subprodutos oscilou entre 36% a 38%, valores inéditos na história do indicador.

Há três razões para o bom desempenho da indústria. A primeira é que a enxurrada de escândalos pouco afetou a demanda interna. A segunda é que os embargos internacionais após a Operação Carne Fraca foram curtos e as restrições russas ocorreram em período de poucos negócios (final do ano), o que resguardou as exportações. A terceira é que o boi gordo, commodity sensível às instabilidades de mercado, se desvalorizou. Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Cepea/Esalq), o valor mensal da arroba passou de R$ 147, em janeiro, no Estado de São Paulo, para R$ 137, em abril, após a Operação Carne Fraca. Em maio, subiu para R$ 138, mas, depois, foi novamente pressionado para baixo, devido às delações dos irmãos Batista e à consequente redução nos abates pela JBS. Em julho, o boi gordo registrou o pior preço do ano (R$ 128), se recuperando nos meses seguintes, porém sem ultrapassar a barreira dos R$ 150.

Essa desvalorização significativa da matéria-prima garantiu, para os frigoríficos, margens superiores a 20% durante todo o ano, resultado bem diferente do registrado em 2016, quando a diferença entre o valor de compra do boi gordo e o valor médio de venda da carne, couro, miúdos e subprodutos foi quase negativo (0,3 a 0,5%, para quem não fazia desossa, e 11% a 13%, para quem fazia). No segundo semestre, em função da corrida dos concorrentes para ocupar espaços deixados pela JBS, os abates cresceram, elevando a oferta de carne no mercado interno. Com mais produto disponível, os preços no varejo caíram, reduzindo as margens dos frigoríficos, mas não muito, pois as exportações ajudaram a escoar excedentes e a arroba continuou reprimida. “Entre junho e julho, por exemplo, enquanto o boi gordo se desvalorizava em 3,2%, em São Paulo, a cotação da carne sem osso resistia, caindo apenas 2,3%”, explica Isabella Camargo, da Scot Consultoria.

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Fonte: Revista DBO 447

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