25 de abril de 2018
Cadeia em Pauta
12 de abril de 2018 - 14:57

Carretas de carne de marca

Diretor da JBS diz que carne de qualidade não se vende mais em caixas e sim em carretas ao detalhar protocolo de premiação para sustentar a marca 1953, lançada pela empresa.

Maristela Franco

Agradativa estratificação do mercado de carne premium, com base em padrões produtivos pré-determinados, está ganhando impulso também por iniciativa dos frigoríficos. A JBS deu um importante passo neste sentido em janeiro passado, com o lançamento da marca 1953, uma homenagem ao ano de fundação da empresa, que está comemorando 65 anos de existência. Em 2017, as vendas de carne premium da JBS cresceram 70%, atingindo mais de 1.000 t/mês. Esperam-se percentuais ainda maiores neste ano, pois a marca 1953 foi concebida para atender grandes redes varejistas, como Walmart e Pão de Açúcar. “Talvez a palavra nicho já não seja tão adequada, pois estamos saindo do cliente de caixas para o de carretas”, salienta Eduardo Pedroso, diretor de originação da JBS. Os abates iniciais são significativos para o segmento – 5.000 cabeças/mês. Eles estão sendo realizados em oito unidades: Campo Grande, no MS; Pontes e Lacerda, Barra do Garças, Diamantino e Juara, no MT; Vilhena, em RO; Marabá, no PA, e Iturama, em MG.

Na pirâmide das marcas de carne da JBS, a 1953 foi posicionada em segundo lugar, abaixo apenas da Swift Black (nicho gourmet) e logo acima da Angus (para restaurantes). Na sequência, vêm a Maturatta, para churrasco; a Do Chef, destinada ao setor de food service; e a Reserva, criada para o Projeto Açougue Nota 10. Na base da pirâmide, se encontra a marca Friboi (dia-a-dia). O portfólio da nova marca compreende, a princípio, 14 cortes do traseiro e do dianteiro – hoje disponíveis em 900 pontos de venda de São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul –, mas o objetivo é comercializar 100% da carcaça com valor agregado, pois somente assim a equação da qualidade se mantém de pé, remunerando toda a cadeia. Para garantir o abastecimento da grife, a JBS está oferecendo prêmios ao produtor de até R$ 13/@ (veja tabela). A adesão é feita mediante contratos a termo, para que o frigorífico possa programar escalas e o produtor assumir, com segurança, os custos de produção.

A grife 1953 é assumidamente “multiraças”. Pode ser abastecida por novilhas e machos castrados oriundos de diferentes cruzamentos, desde que tenham pelo menos 50% de sangue taurino e não apresentem cupim proeminente (máximo de 7 cm), nem orelhas típicas de zebu. A decisão de trabalhar com produtos tricross de raças zebuínas com sintéticas (Senepol, Bonsmara, Braford); britânicas (Angus, Hereford) e continentais (Charolês, Simental, Limousin, Blonde D’Áquitaine, dentre outras) foi tomada após realização de vários testes sensoriais (textura, sabor) e de maciez (força de cisalhamento). O trabalho, conduzido pelo professor Sérgio Pflanzer, da Faculdade de Engenharia de Alimentos da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), registrou diferenças mínimas na qualidade da carne oriunda desses cruzamentos, o que possibilitou sua comercialização sob a mesma grife.

A matéria completa está na edição de abril da Revista DBO. Assinantes também podem lê-la na edição digital.

Fonte: Revista DBO 450

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