21 de fevereiro de 2018
Suplementação
8 de fevereiro de 2018 - 14:28

Desafios futuros do confinamento

Um deles, para otimizar o desempenho animal, será o de aproveitar 99% do amido do milho e entender melhor a relação volumoso-concentrado, escreve o professor Flávio Augusto Portela Santos, da Esalq-USP.

Flávio Augusto Portela Santos

Devido à profissionalização do confinamento no Brasil, que exige melhor desempenho animal, essa atividade terá, nos próximos anos, grandes desafios, dentre eles: processar adequadamente os grãos de cereais para aumentar seu valor energético e compreender melhor como a relação volumoso:concentrado afeta o desempenho animal, temas amplamente discutidos no 8º Simpósio sobre Bovinocultura de Corte, realizado em dezembro de 2017, na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP), em Piracicaba, SP. Como a principal fonte de energia usada pelos confinadores nacionais é o amido do milho, que representa 72% da matéria seca deste cereal, é necessário otimizar seu aproveitamento. Isso é particularmente importante no Brasil, onde se cultiva milho flint, que apresenta amido com menor digestibilidade do que o do milho dentado, predominante nos Estados Unidos.

A moagem, independentemente do tamanho de partícula obtido, não é suficiente para otimizar a digestão do amido pelos bovinos. Para se atingir valores próximos a 99% de digestibilidade desse nutriente no trato digestivo total e aumentar, de forma significativa, a concentração de energia na dieta, as melhores alternativas são a ensilagem dos grãos úmidos e a floculação, tecnologias que deverão ser adotadas em maior escala no País nos próximos anos. O aumento da digestibilidade do amido não é o único, mas com certeza é o principal fator determinante do aumento da concentração de energia nos grãos de milho e consequente melhoria do desempenho animal.

Desafio do milho flint - Em 2012, o professor Fred Owens, da Universidade de Oklahoma, EUA, publicou uma revisão literária sobre o tema. Nesse trabalho, ele compilou 17 experimentos conduzidos com milho dentado nos Estados Unidos que comparavam o processo de laminação com a ensilagem de grãos úmidos e constatou aumento de 5,7% na eficiência alimentar dos animais que receberam este último produto. Nos experimentos conduzidos no Brasil, com milho flint, verificou-se maior incremento na eficiência alimentar com a ensilagem de grãos úmidos, em comparação com a moagem fina e a laminação, do que nos trabalhos norte-americanos com milho dentado. Houve redução de 10,45% no consumo de matéria seca, aumento de 5,03% no ganho de peso e consequente melhoria de 15,13% na eficiência alimentar dos animais com o uso do milho ensilado úmido.

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Fonte: Revista DBO 447

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