20 de novembro de 2017
Especial Genética e Reprodução
14 de setembro de 2017 - 18:37

Duas IATFs em apenas 24 dias.

Equipe de veterinários ligados à USP já começa a utilizar protocolo baseado no ultrassom colorido que permite identificar prenhez ainda no ovário aos 22 dias e nova inseminação das fêmeas vazias dois dias depois.

Denis Cardoso

Quando DBO publicou a reportagem de capa sobre o surgimento da IATF precoce, no Especial de Genética e Reprodução de setembro de 2014, especialistas do setor sentenciaram que a técnica de inseminação artificial em tempo fixo teria alcançado o seu limite no que tange ao processo de antecipação do protocolo de ressincronização (aplicação de uma segunda IATF nas vacas não-gestantes da primeira inseminação). Ledo engano. Surge agora a IATF superprecoce, associada a uma nova metodologia de diagnóstico ultrassonográfico de gestação que utiliza como principal ferramenta um equipamento chamado Doppler, já conhecido popularmente como “ultrassom colorido”. Por meio de um diagnóstico no ovário da vaca, que avalia a presença de corpo lúteo e seu fluxo sanguíneo, a nova ferramenta permite realizar duas IATFs num intervalo de apenas 24 dias, enquanto nos outros dois métodos existentes – o precoce e o convencional – os prazos entre a primeira e segunda inseminação são de 32 e 40 dias, respectivamente. Ou seja, dentro de uma estação de monta previamente estabelecida, Com o uso de ultrassom Doppler, em 3D e colorido, é possível realizar duas inseminações num intervalo de apenas 24 dias. o uso da ultrassonografia Doppler resulta num ganho adicional de oito dias se comparado com a IATF precoce, e de 16 dias frente ao protocolo convencional. No caso de fazendas que lançam mão de três IATFs na estação de monta, a nova tecnologia proporciona um intervalo de 48 dias entre a primeira e a terceira inseminação, ante 64 dias no caso da IATF precoce, e 80 dias em relação ao protocolo tradicional (gráfico na pág 92).

“Com a metodologia Doppler, é possível realizar três IATF com prenhez acumulada de 80% em 48 dias de estação de monta”, diz o médico veterinário Pietro Sampaio Baruselli, professor titular da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ), da Universidade de São Paulo (USP). Baruselli lidera uma equipe de veterinários responsáveis pela validação do novo protocolo. Um deles é Luciano Penteado, sócio-proprietário da Firmasa, de Londrina, PR, que realizou, juntamente com a equipe de Baruselli, vários experimentos a campo com o Doppler, trabalhos que deram respaldo técnico para que já seja recomendado o uso comercial da tecnologia, que poderá ser aplicada em diversas fazendas de gado de corte na próxima estação de monta, em 2017/2018.

“A ressincronização superprecoce já é uma realidade no mercado de IATF”, atesta Penteado, que iniciou, em agosto, um trabalho com a nova tecnologia em uma propriedade de cria no Paraná (veja pág. 96). Segundo o sócio da Fimasa, o Doppler representa um “pote de ouro no fim do arco-íris” para as fazendas já habituadas com prática de intensificar o uso da IATF, já que tal estratégia garante inúmeras vantagens ao sistema produtivo. “Com a ressincronização superprecoce podemos reduzir o tempo da estação de monta, aumentar a quantidade de matrizes com intervalo de parto de 12 meses, concentrar os nascimentos e os desmames nas melhores épocas, elevar a quantidade de prenhezes e produtos desmamados de IATF, reduzir a quantidade de touros na fazenda, proporcionando a compra de reprodutores geneticamente superiores, entre outras oportunidades”, exemplifica Penteado.

A matéria completa está na edição de setembro da Revista  DBO. Assinantes também podem lê-la na edição digital.

Fonte: DBO 443

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