25 de abril de 2018
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12 de abril de 2018 - 14:53

É ano de apostar no confinamento?

Primeiro grande evento da estação a discutir o tema, encontro da Coan, em Ribeirão Preto, debateu cenários e perspectivas para a terminação a cocho, de olho nos preços do boi magro e do milho.

Marina Salles

O13° Encontro de Confinamento da Coan Consultoria, realizado em Ribeirão Preto, SP, entre 14 e 16 de março, forneceu aos pecuaristas as primeiras pistas de como a atividade pode se comportar em 2018. Durante três dias, 546 produtores, técnicos e especialistas de mercado analisaram os parâmetros que norteiam o setor: boi magro, grãos e preço da arroba, além de técnicas de gestão. Após um 2017 de muitos reveses para a pecuária e decisões tardias sobre a engorda no cocho, o confinador recebeu uma boa notícia: o cenário de preços da arroba deverá ser mais equilibrado no segundo trimestre de 2018 e a relação de troca boi magro/boi gordo mais favorável, o que pode ajudar a sustentar as margens do confinamento, ainda que o milho esteja caro e haja preocupação quanto aos rumos da economia, em um ano de eleição presidencial. Continuam de pé as projeções da Associação Nacional de Pecuária Intensiva (Assocon) de que o País confinará 3,8 milhões de animais em 2018.

Segundo Adolfo Fontes, analista sênior do Rabobank, que abriu as discussões do evento, a produção nacional de carne deverá aumentar 5% neste ano, impulsionada pela inversão do ciclo pecuário (que desvalorizou o bezerro e impulsionou o abate de fêmeas). Fontes explicou que isso pode ser equalizado, limitando pressões de alta e baixa no preço da arroba, se as exportações tiverem incremento mínimo de 200.000 toneladas e o mercado interno elevar o consumo de carne bovina em 1 ou 2 kg por habitante/ ano. Esse cenário é considerado factível, já que o brasileiro consumiu 200 gramas a mais do produto em 2017, em comparação com 2016, apesar de o PIB ter crescido apenas 1%. “Para este ano, a perspectiva é mais otimista e a expectativa é de que o PIB cresça 3%”, disse.

Olhando para a arroba, que, em fevereiro, estava estacionada em R$ 145, e cotada a R$ 150 no mercado futuro, Fontes pontuou que, até outubro, o que se espera é somente uma correção do valor pela inflação. “Se isso é bom ou ruim para o pecuarista, vai depender do dinheiro que ele está colocando no bolso, ou seja, da sua margem”, afirma. Mais confiante, Lygia Pimentel, diretora da consultoria Agrifatto, de Bebedouro, SP, lembrou que, em anos de eleição, o dinheiro injetado na economia com as campanhas eleitorais tende a estimular a contratação temporária de pessoas e incrementar a renda da população, o que pode aumentar a demanda por carne bovina e provocar uma valorização do boi gordo. Na média das últimas quatro eleições presidenciais, entre os meses de abril e outubro, quando se dá a votação em primeiro turno, o preço da arroba subiu 21,48%. Em 2014, a variação foi mais tímida, de 7,65%.

A matéria completa está na edição de abril da Revista DBO. Assinantes também podem lê-la na edição digital.

Fonte: Revista DBO 450

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