22 de novembro de 2017
Cadeia em Pauta
11 de julho de 2017 - 14:05

Embargo põe vacina e vacinação em xeque

Suspensão das importações de carne pelos Estados Unidos provoca estragos na reputação de nosso produto e levanta polêmica sobre a causa dos problemas detectados.

Renato Villela

Depois da Operação Carne Fraca e das delações da JBS, o setor produtivo sofreu mais um golpe difícil de assimilar. No dia 22 de junho, os Estados Unidos suspenderam as importações de carne in natura do Brasil. O anúncio veio um dia depois de o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), ter descredenciado preventivamente cinco das 13 plantas frigoríficas habilitadas a exportar para aquele país devido à presença de nódulos no produto. Mas a medida veio tarde. Desde março, quando a inspeção se tornou mais rigorosa devido à Operação Carne Fraca, até a data do embargo, as autoridades já haviam detectado o problema em 11% do total embarcado. Não há consenso dentro da cadeia, entretanto, quanto à origem dos nódulos. A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec) afirma que eles são provocados por reações à vacina contra a febre aftosa. O Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal (Sindan) rebate, dizendo que a causa não está no medicamento, mas em erros na aplicação por parte do produtor.

Em meio a esse fogo cruzado, o Brasil vê sua imagem novamente arranhada no cenário internacional, desta vez diante de um cliente estratégico. Principal importador de carne industrializada do País, e ainda pequeno comprador do produto in natura, os Estados Unidos são porta de entrada para outros países do mercado não-aftósico (México, Canadá, Coreia, Japão). Abriu-se à carne in natura brasileira em junho de 2015, após 15 anos de negociações, mas as exportações duraram apenas 10 meses (setembro de 2016 a junho de 2017), período em que foram negociadas 16.612 t de carne in natura por US$ 52 milhões. “O volume é pequeno, mas o prejuízo intangível, pois se trata de um mercado de elite, que exerce forte influência sobre países ainda fechados ao produto brasileiro”, explica Antônio Jorge Camardelli, presidente da Abiec. Em entrevista ao Portal DBO, José Vicente Ferraz, diretor da Informa Economics FNP, declarou que teme pelo futuro da carne brasileira lá fora. “Todo o trabalho de abertura de mercados feito nos últimos anos pode ir por água abaixo, caso essa situação não seja revertida rapidamente”, disse ele.

Atônito com mais esse escândalo, o Ministério da Agricultura tentou conter o alvoroço causado pela notícia. Em nota, disse que irá “investigar as causas da reação causada por vacina em bovinos e auditar plantas frigoríficas que exportam para os Estados Unidos, com o objetivo de dar respostas ao governo e aos importadores daquele país, restabelecendo negociações no setor”. Até o fechamento desta edição, estava previsto o envio de uma missão técnica do Mapa aos Estados Unidos no início de julho. Segundo Luís Eduardo Rangel, secretário de Defesa Agropecuária do Mapa, o Brasil terá de fazer um esforço ainda maior para reverter o impasse atual. “No caso da Operação Carne Fraca, o problema não era sanitário. Mesmo assim, demoramos algumas semanas para acalmar os compradores e reabrir os mercados. Desta vez, temos uma questão técnica envolvida. Pode demorar pouco mais de um mês”, disse o secretário, que espera resolver a questão até meados de agosto.

A matéria completa está na edição de julho da Revista  DBO. Assinantes também podem lê-la na edição digital.

Fonte: DBO 441

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