18 de novembro de 2017

Foco em pessoas dá resultado

Confinamento Monte Alegre, de Barretos, SP, aposta em ferramentas modernas de gestão, como, por exemplo, a da "fábrica virtual", o que motiva a equipe, controla processos e melhora a produtividade. Maristela Franco

Maristela Franco

Remuneração variável, com base na produtividade, favorece o engajamento da equipe e ajuda a melhorar a receita do confinamento? Sim, diz o veterinário André Perrone Reis, diretor da Companhia Agropecuária Monte Alegre (CMA), em Barretos, SP, um dos projetos mais profissionalizados do País, pioneiro no uso de tecnologias de ponta e adepto da meritocracia. O confinador faz, contudo, uma ressalva: “Antes de pagar prêmios, estabeleça claramente as funções do funcionário; informe-o sobre o que se espera dele; crie ferramentas gerenciais para medir seu desempenho e garantir um processo de melhoria contínua; do contrário, o resultado pode ser nulo”. Perrone descobriu, na prática, que a remuneração por produtividade não funciona bem sozinha. Deve fazer parte de um plano mais amplo de gestão, que inclua desde o estabelecimento de rituais de rotina corporativa até a definição de metas individuais e coletivas, estímulos à participação da equipe na solução de problemas e inteligência competitiva.

A CMA confinou 29.000 animais no ano passado, 90% deles em sistema de parceria, com destaque para as modalidades “padrão” (quando o cliente recebe, no abate, pelo peso entregue ao confinamento), e “arrobas produzidas” (quando ele paga um valor fixo por arroba ganha, diferentemente do boitel, que cobra diárias). Como é uma empresa “prestadora de serviços”, a CMA precisa fidelizar seus clientes e buscar máxima eficiência. Por isso, tem investido pesado em tecnologias, gestão de pessoas e adequação ambiental, o que lhe garantiu vários prêmios, como o Nelson Pineda e o Aliança da Terra, além da certificação Rain Forest Alliance (selo do sapinho verde). Seu confinamento foi o primeiro do País a cumprir os requisitos desse protocolo internacional, passaporte para mercados exigentes como o europeu. A CMA também é habilidada pelo Ministério da Agricultura a fazer quarentena de animais que vão ser exportados vivos.

Quando André Perrone assumiu os negócios agropecuários da família em 2000, após voltar de uma temporada nos Estados Unidos, onde fez pós-graduação na Universidade do Texas, a Estância Monte Alegre (adquirida por seu avô, Oswaldo Perrone, nos anos 50) possuía apenas um pequeno confinamento para 300 cabeças. Hoje, o projeto tem capacidade estática para 17.000 bovinos. Seus 53 funcionários recebem salários acima do patamar regional, têm boas condições de trabalho, transporte diário gratuito até Barretos, plano de saúde, segurança laboral e cursos de capacitação (média de oito por ano). Ainda assim, Perrone teve de percorrer longo caminho até conseguir integrar efetivamente sua equipe (dos vaqueiros aos coordenadores de área) na busca por melhor produtividade e lucratividade.

A matéria completa está na edição de agosto da Revista  DBO. Assinantes também podem lê-la na edição digital.

Fonte: DBO 442

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