18 de novembro de 2017
Saúde Animal
14 de agosto de 2017 - 14:35

Higiene na aplicação, o segredo da boa vacinação.

Evitar abscessos na carne de animais vacinados contra a febre aftosa passa por cuidados que vão da limpeza e secagem das agulhas até a troca das mesmas a cada 10 aplicações. Criatividade também conta para manter a temperatura adequada.

Renato Villela

Garantir a higiene no ato de vacinar é a medida mais eficaz para evitar a formação de abscessos, aqueles nódulos protuberantes que se caracterizam pela presença de pus, sinal de infecção normalmente provocada por sujeira (não confundir com os granulomas causados por vacina e que foram a causa do fechamento do mercado norte- americano à carne brasileira). A falta de higienização adequada das agulhas é uma das principais responsáveis pelo o aparecimento de abscessos. Segundo o professor Iveraldo dos Santos Dutra, da Unesp de Araçatuba, SP, as agulhas devem primeiro ser limpas com água corrente e sabão; depois colocadas em água fervente, durante 15 minutos, para que se consiga uma boa desinfecção; secadas com papel toalha e guardadas em local limpo. Dutra desaconselha o uso de iodo ou quaisquer outros desinfetantes com essa finalidade. “Trata-se de prática antiga, que deve ser abolida, pois não acrescenta nada”, afirma. O professor explica que o efeito bactericida dessas soluções tende a se perder à medida que aumenta a concentração de material orgânico nos recipientes onde as agulhas sujas são colocadas para assepsia. “Em vez de desinfetar, esse meio se transforma numa fonte de contaminação, pois os patógenos se desenvolvem nele”, diz.


Como nem sempre é possível esterilizar as agulhas durante a vacinação, o ideal é que o produtor trabalhe com um jogo de peças, de acordo com o número de animais a serem vacinados. “Uma para cada dez animais é uma proporção excelente”, afirma Dutra. Para esse tipo de vacinação, recomendam-se agulhas com dimensões de 10 x 15 mm, 10 x 18 mm ou 15 x 15 mm. A via de administração subcutânea (embaixo da pele) é a mais comum na rotina das fazendas. O responsável pelo manejo deve se certificar de que a agulha seja nova e esteja com a ponta afiada e íntegra, pois, assim, ao retirá-la do animal após a aplicação da dose, o corte em bisel (em sentido “transversal”) se “fecha”, como se fosse uma tampa. “Se estiver cega ou rombuda, a agulha não corta, mas perfura a pele, abrindo uma porta para entrada de contaminantes e sujeiras, causa de muitos abscessos”, explica o consultor Marcus Rezende, com atuação na Região Norte do País. Deve-se evitar ainda o contato com o corpo da agulha. “Se os dedos estiverem sujos, a contaminação é levada para dentro do frasco e injetada no animal junto com o medicamento”, adverte Dutra.

Sensibilidade à temperatura

Outro cuidado diz respeito à conservação da vacina. Compostas por agentes que induzem a resposta imune no animal (bactérias, vírus atenuados ou inativos), vacinas são sensíveis à luz, ao calor e ao frio extremo. Altas temperaturas, por exemplo, podem matar os vírus atenuados da vacina contra a brucelose, tornando-a inviável. O congelamento, por sua vez, é capaz de, mesmo por poucos segundos, estragar uma vacina antirrábica, já que altera a emulsão (mistura entre líquidos imiscíveis), separando seus componentes, o que compromete a resposta imune. Além disso, quando a vacina é congelada, os adjuvantes, substâncias utilizadas para aumentar a produção de anticorpos, se desprendem dos antígenos aos quais estavam ligados. “Quando os adjuvantes ficam livres, o risco de provocarem uma reação de hipersensibilidade cutânea (abscessos assépticos) é muito maior”, explica Enrico Ortolani, professor da FMVZ (Faculdade de Medicina Veterinária da USP.) Segundo Ortolani, é preciso ficar atento à regulagem da temperatura das geladeiras na fazenda. As vacinas devem ser conservadas em temperatura entre 2 e 8 ºC.

A matéria completa está na edição de agosto da Revista  DBO. Assinantes também podem lê-la na edição digital.

Fonte: DBO 442

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