21 de outubro de 2017
Saúde Animal
15 de setembro de 2017 - 12:26

Lições da mortandade de bovinos por botulismo

Silagem contaminada com toxinas botulínicas causaram a morte de mais de mil animais em fazenda do MS. Especialistas alertam que, além da vacinação bem feita, é preciso redobrar os cuidados com a ração do gado.

Mônica Costa

Um cenário devastador. A imagem com centenas de bovinos mortos na fazenda Mônica Cristina, em Ribas do Rio Pardo, a 40 quilômetros da capital Campo Grande, MS, voltou a chamar a atenção de criadores para uma enfermidade de grande importância econômica e sanitária na pecuária brasileira: o botulismo. A presença de toxinas botulínicas dos tipos C e D na silagem de milho reidratado que foi adicionada à ração de 1.700 animais confinados provocou a maior incidência de mortes por botulismo já registrada em uma única fazenda no País.

Em quatro dias, de 3 a 7 de agosto, 1.100 animais com idades entre 24 e 36 meses com sinais de paralisia muscular morreram, causando prejuízo estimado em R$ 2 milhões para o confinador Pérsio Ailton Tosi. “Sempre trabalhamos com muita eficiência e respeito à sanidade animal e ao meio ambiente”, afirma o pecuarista que é proprietário da Marca 7, condomínio que agrega além dessa fazenda, outras quatro propriedades – duas de cria e duas de recria – localizadas nos municípios de Ribas do Rio Pardo, Águas Claras e Três Lagoas, todas no MS. Com mais de 40 anos na atividade, Tosi é um criador profissional. Trabalha com ferramentas modernas e adota todos os protocolos preconizados por especialistas para garantir o bem-estar e o bom desempenho dos animais. Mas isso não foi suficiente para evitar a tragédia. “Tenho que redobrar os cuidados”, admite o pecuarista.

De acordo com o médico veterinário Luciano Chiocheta, diretor-presidente da Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal de Mato Grosso do Sul (Iagro/ MS), houve falhas na conservação da silagem. “A causa provável foi a proliferação das toxinas botulínicas por meio de bolor ou mofo na ração animal, mais especificamente na silagem de milho em grão”, afirmou, com base nos resultados dos ensaios laboratoriais do setor de Patologia Veterinária da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS). Em visita à propriedade, técnicos da Iagro/MS encontraram rasgaduras em um dos silos-bag, mas não detectaram a presença de carcaça de nenhum animal na silagem, o que levanta também a possibilidade de que o material ensilado tenha se deteriorado ao entrar em contato com o ar, deixando o ambiente propício para o desenvolvimento da toxina.

A matéria completa está na edição de setembro da Revista  DBO. Assinantes também podem lê-la na edição digital.

Fonte: DBO 443

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