17 de agosto de 2017
Reportagem de capa
11 de julho de 2017 - 14:12

Manejo do gado sem nada nas mãos

Uma nova técnica de lidar com os animais sem estresse está ganhando adeptos no Brasil com o contato direto do manejador no solo com o gado, além de outras diferenças em relação ao método de Temple Grandin.

Maristela Franco

Ela entra tranquilamente no curral; se posiciona frente ao lote de novilhas Nelore recém-chegadas do pasto; mira os olhos da “sentinela” do grupo que ergue a cabeça para avaliar se o ambiente é seguro, acalmando-a; se apresenta ao lote e fica parada por alguns minutos, como se estivesse conversando mentalmente com os animais, já totalmente sossegados. A cena registrada por DBO na Fazenda Colina, de Marco Garcia de Souza, em Três Lagoas, MS, é um exemplo de como a jovem veterinária Adriane Lermen Zart, 30 anos, consultora da Personal PEC, com sede em Campo Grande, MS, maneja bovinos apenas com o olhar e posicionamentos corporais corretos, sem “Nada nas Mãos”, como foi batizada a técnica no Brasil. Em países de língua inglesa, usa-se o termo stockmanship ou low-stress livestock handling, que pode ser traduzido por manejo de gado com baixo estresse.

Desde o ano passado, Adriane vem fazendo uma verdadeira maratona de palestras e treinamentos pelo País para difundir essa técnica, que já está sendo praticada em 36 fazendas de oito Estados, além de Paraguai e Bolívia. O “encantamento de bovinos” descrito por DBO nada tem de mágico. É fruto de conhecimentos empíricos sobre comportamento animal, muitos já comprovados pela ciência, e que agora estão sendo usados por manejadores treinados, na busca por relações menos estressantes entre homens e bovinos, para benefício de ambos. Os fundamentos da técnica foram lançados pelo cowboy norte-americano Bud Williams, falecido em 2012, e pelo veterinário Tom Noffsinger, que lhe deu base científica. No Brasil, esse tipo de manejo foi introduzido pelo também veterinário Paulo Loureiro, que desde jovem manejava animais sem nada nas mãos ao invés de “tocá-los”, como se faz na maioria das fazendas. Loureiro treinou Adriane e é seu mentor até hoje (veja histórico).

O manejo “Nada nas Mãos” difere, em certos pontos, do método proposto pela pesquisadora Temple Grandin, que difundiu bandeirinhas e currais curvilíneos pelo mundo, mas ambos partem do mesmo princípio: uma relação não agressiva do homem com os animais. Hoje, Temple até utiliza alguns dos conceitos de Bud Williams e Tom Noffsinger. Como explica Doug Mayo, diretor de extensão rural da Universidade da Flórida, a diferença entre os dois métodos (ambos válidos) é que Grandin, por ser autista, desenhou instalações que isolam os animais, protegendo-os e eliminando fontes de distração ou medo. Já Bud e Tom propõem estabelecer um contato direto com o gado, na base da confiança. Por isso, eles preferem trabalhar em currais retos e abertos, onde o manejador fica no chão, podendo ver os bovinos e ser visto por eles.

A matéria completa está na edição de julho da Revista  DBO. Assinantes também podem lê-la na edição digital.
 

Fonte: DBO 441

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