25 de setembro de 2017
Coluna do Cepea
14 de agosto de 2017 - 14:31

Não caiu? Não caiu, por quê?

Sergio De Zen e Mariane Crespolini, do Cepea, explicam por que o preço da carne não caiu no varejo, mesmo com a arroba do boi se desvalorizando 16,% no primeiro semestre deste ano.

Sergio de Zen e Mariane Crespolini

Os preços do boi gordo seguem em queda no País. Comparando-se as médias mensais de julho de 2016 até a parcial de julho de 2017, o indicador do boi gordo Esalq/B3 (antiga BM&FBovespa) cedeu significativos 19,8%, em termos nominais. Foi o recuo mais expressivo para o período desde o início da série histórica do Cepea, em 1997. Somente no acumulado de 2017 (até 20 de julho), a arroba do boi gordo se desvalorizou 16,59% – também a maior queda para o período desde o início da série. Ainda que os preços do boi tenham caído, no mercado atacadista de carne com osso o valor da carcaça casada de boi (dianteiro, traseiro e ponta de agulha) registrou queda de apenas 3,2% entre julho de 2016 e a parcial de julho/2017. Ao contrário das cotações do boi gordo, que estão em queda mensal desde julho de 2016, a carcaça casada se valorizou no segundo semestre de 2016, com baixas ocorrendo apenas em 2017. Considerando-se 2017, a carcaça casada se desvalorizou 9,8%, recuo bem menos expressivo do que o observado para a arroba.

Como ilustrado no gráfico, até junho de 2008, as cotações da arroba e da carcaça casada variavam de maneira muito próxima. Em diversos períodos, as valorizações do boi foram superiores às da carne no atacado. Porém, após junho de 2008, as linhas passaram a se distanciar. Mesmo que em alguns momentos as variações tenham se aproximado, com valorização do boi superior à da carcaça, nunca mais as linhas se encontraram. A diferença entre essas variações, considerando-se 2001 como ano-base, tem efetivamente ocorrido desde a metade de 2016, com a queda de preço da arroba expressivamente superior à da carne. Muitos fatores explicam o recuo de preços da cadeia. O primeiro relaciona-se aos maiores investimentos de pecuaristas em períodos anteriores, que resultaram em ganhos de produtividade e também à maior disponibilidade de fêmeas para abate no início de 2017. Esta conjunção, somada à demanda ainda sem fôlego para absorver o excedente produzido, pressionou as cotações já em janeiro.

Após a Operação Carne Fraca e os recentes desdobramentos da delação premiada da JBS, que reduziu expressivamente a quantidade de animais abatidos, a necessidade de preencher escalas de indústrias concorrentes foi rapidamente atendida, conferindo- -lhes maior poder de negociação. Se a grande empresa tivesse mantido compras, a queda não seria tão abrupta. Para o consumidor, a quantidade de carne que chegou ao atacado foi menor, limitando a baixa de preço.
 

A matéria completa está na edição de agosto da Revista  DBO. Assinantes também podem lê-la na edição digital.

Fonte: DBO 442

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