25 de abril de 2018
Cadeia em Pauta
12 de abril de 2018 - 14:49

Novas fusões no setor de genética bovina

União da Genex (ex-CRI) e Alta Genetics, que deverá se consolidar nos próximos meses, poderá ser seguida por outros grupos.

Denis Cardoso

Executivo da Bayer de 1995 a 2010, Sérgio Saud, hoje à frente da subsidiária brasileira CRI Genética Brasil (que a partir deste ano passou a adotar o nome global Genex), de São Carlos (SP), acompanhou de perto o processo de concentração envolvendo o setor farmacêutico nas últimas décadas. Por isso, vê com naturalidade o início de uma nova onda de incorporações e fusões entre multinacionais do segmento genético, movimento que tem como protagonista o próprio grupo norte-americano Genex, um conglomerado de cooperativas que, em dezembro último, anunciou a intenção de se juntar globalmente à canadense Koepon Holding BV, detentora da Alta Genetics, cuja subsidiária brasileira está sediada em Uberaba (MG). Caso o negócio seja concretizado, a nova companhia, com sede em Wisconsin, EUA, se tornará um dos maiores grupos de genética do mundo, fortalecendo as suas operações com animais de corte e de leite. “Não será surpresa caso ocorram novas transações envolvendo outras empresas mundiais de genética”, avalia Saud, que também exerce o cargo de presidente da Associação Brasileira de Inseminação Artificial (Asbia).

O executivo lembra que a própria Genex é resultado de uma fusão entre 15 pequenas cooperativas norte-americanas, que se uniram nos anos 1980 e 1990. Segundo ele, com o enorme avanço dos programas de avaliação genômica, aliado à complexidade dos sistemas convencionais de seleção por meio de DEPs (Diferenças Esperadas na Progênie), todas as grandes centrais de genética se viram obrigadas a aumentar a eficiência das operações para amenizar o impacto da elevação dos gastos em pesquisas, gerenciamento de dados e tecnologias de alto desempenho, como é o caso da genômica. Na prática, diz Saud, é bem simples de entender as recentes transformações no processo de gestão e na estrutura financeira das multinacionais de genética. Hoje, com a genotipagem, é possível validar uma série de características genéticas de interesse econômico em bezerros de 6-7 meses de idade. Antes do surgimento das provas genômicas, demorava-se em torno de cinco anos para conseguir comprovar, por meio de suas progênies, a real capacidade genética de um raçador. Um animal submetido cedo ao mapeamento de seus genes é capaz de ingressar na bateria de uma grande central aos 15-16 meses. Com pouco mais de dois anos de idade, os seus filhos já nasceram. E os filhos desses garrotes são potenciais substitutos de seus pais, seguindo a premissa básica do melhoramento genético, de que a geração seguinte é melhor do que a imediatamente anterior. “Com isso, a vida útil de um touro dentro da bateria caiu de dez anos para algo em torno de 2,5 anos, o que obriga as empresas a melhorar a eficiência e a elevar os investimentos para acompanhar esse processo de substituição de raçadores”.

A necessidade de gerenciar um rico e cada vez mais complexo banco de dados de animais gerado pela rápida inclusão de novas informações genômicas mexe com a estrutura de gestão e com o caixa financeiro das centrais. Por isso, diz o diretor da Genex, será muito bem-vinda a fusão com a Alta Genetics. “Teremos enormes ganhos de eficiência e de qualidade ao promovermos um trabalho conjunto de gerenciamento de um único banco de dados genéticos e de cruzamento de informações, possibilitando elevar os investimentos em pesquisas que resultem na descoberta de grandes touros e no aprimoramento dos serviços oferecidos aos produtores de leite e corte”, prevê.

A matéria completa está na edição de abril da Revista DBO. Assinantes também podem lê-la na edição digital.

Fonte: Revista DBO 450

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