21 de janeiro de 2018
Prosa Quente
10 de abril de 2017 - 14:23

Prosa Quente com José Bento S. Ferraz

Um dos nomes de referência em genética bovina, José Bento diz que o principal foco do melhoramento deve ser o da produção de cada vez mais carne commodity e alerta para o perigo da moda do touro tope.

Entrevista

O professor José Bento Sterman Ferraz, da USP de Pirassununga, é uma dessas pessoas que não têm “papas na língua”. Gosta de falar o que pensa, suscitando polêmicas. Por exemplo, é crítico da adoção das novidades da genética – entre elas a genômica – sem que antes os criadores tenham feito “a lição de casa”, que é ter uma estrutura alimentar na fazenda, manejo e mão de obra especializada, para só depois partir para tecnologias mais refinadas.

É uma das grandes referências quando o assunto é melhoramento genético, área em que divide com seu colega Joanir Eller, da mesma Faculdade de Zootencia e Engenharia de Alimentos, a condução de importantes programas em raças bovinas, sua especialidade.

Formado veterinário na USP, em 1977, fez mestrado em genética em 1980, e doutorado na mesma especialidade pela USP, campus de Ribeirão Preto. Ainda no curso de graduação, foi aluno de Raysildo Lôbo, idealizador do programa de melhoramento genético da raça Nelore. “Ele que botou minhoca na minha cabeça, de que eu deveria fazer pós-graduação”, lembra.

Começou a carreira fazendo melhoramento em coelhos e depois suínos, trabalhou num frigorífico no nordestino Estado de Sergipe, onde ficou até 1988. Voltou para São Paulo e ingressou na FZEA, em Pirassununga. Três anos mais tarde, em 1991, foi para o Estado de Nebraska, nos EUA, para fazer um pós-doutorado, também em genética. Voltou em 1992 e, dois anos mais tarde, iniciava o trabalho de melhoramento com bovinos Nelore da Agro-Pecuária CFM, que continua até hoje.

Consultor de criadores, empresas e associações de raça, Bento fala nesta entrevista – concedida aos jornalistas Maristela Franco e Moacir José – sobre os desafios dos pecuaristas na área de genética e em outras.

Moacir – Como foi o início do trabalho com a CFM?

José Bento – Eles queriam melhorar o gado, porque a empresa tinha de dar resultado; eram umas 20.000 vacas. O Joanir e eu dissemos para o [Joseph] Purgly [presidente da CFM à época]: “A gente sabe como fazer, só não tem equipamento”. Ele perguntou o que a gente precisava e pedimos um computador com 128 mega de memória – que hoje não é nada. O primeiro Pentium de Pirassununga foi nosso. E o primeiro Pentium da Universidade de São Paulo também foi nosso, patrocinado pela CFM.

Moacir – Na época, o que se buscava em melhoramento?

José Bento – A CFM sempre foi uma empresa pioneira. Além de serem ingleses e eles tinham de pagar para o acionista na Inglaterra 8% do capital investido em dólar por ano no mundo inteiro. E eles tinham gado comercial, Nelore, cruzamento e não encontravam touros para comprar. Era uma “caixa preta”. Então resolveram começar a selecionar touros.

A matéria completa está disponível na edição de abril da revista DBO. Assinantes também podem lê-la na versão digital. 

Fonte: DBO

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