18 de dezembro de 2017
Reportagem de Capa
21 de junho de 2012 - 20:46

Técnicos propõem novos parâmetros para desempenho animal

Um grupo cada vez maior de técnicos brasileiros está se dedicando a essa tarefa, buscando uma métrica alternativa ou complementar ao GMD, que possibilite acompanhar o acúmulo de carcaça dos animais. Ainda há muita pesquisa a ser feita, mas o fundamental, segundo eles, é mudar de foco. "Se o pecuarista é remunerado pela quantidade de carcaça que produz, esta deve ser sua meta, sua preocupação máxima, seu pré-requisito para análises econômicas", salienta Danilo Grandini, diretor técnico da Phibro e um dos nutricionistas mais respeitados do mercado, que tem defendido essa tese em vários fóruns de debates do Brasil

Maristela Franco

Medir é preciso. Esse lema tornou-se um mantra da intensificação e vem sendo repetido incansavelmente nos últimos anos. Mas, o que é preciso medir? Como medir? Na engorda de bovinos, esse debate ganhou força e está gerando um novo conceito, que promete revolucionar a maneira como o pecuarista avalia o desempenho animal, seja no pasto ou no confinamento. É o conceito de "ganho em carcaça", mais confiável como parâmetro do que o velho GMD (ganho médio de peso vivo diário), líder absoluto das fichas de avaliação dos produtores e base para uma série de decisões importantes, como a formulação de dietas e o ponto ideal de abate. Por enquanto, o ganho em carcaça só pode ser verificado após a morte do bovino, com ultrassom ou por inferência, mas sua principal vantagem é direcionar a mente do produtor para o quesito que efetivamente lhe traz receita.

O GMD tornou-se "popular" porque é simples de medir. Basta colocar alguns animais de cada lote na balança e conferir quantos quilos eles ganharam em relação ao peso inicial, dividindo-se o valor obtido pelo número de dias de engorda. Sua precisão como indicador de desempenho, contudo, é questionável, pois um animal que engorda 1,8 kg/cab/dia pode fornecer menos carcaça do que outro de GMD menor, devido a diferenças de manejo, de dieta e de aptidão genética para deposição de tecidos. Quando os bovinos vão para o frigorífico, o segundo dá melhor receita do que o primeiro, já que o pecuarista recebe pelo peso morto (carcaça limpa) e não pelo peso vivo. Para avaliar adequadamente a rentabilidade do negócio pecuário, portanto, seria necessário eliminar essas distorções.

Ao observar o atual modelo de produção pecuária, Grandini diz que lhe vem à mente a imagem de algo escapando entre os dedos. O que? "Oportunidades" De que? "De se agregar valor ao negócio dentro da porteira, ao invés de reclamar da estreita margem entre os preços de compra do bezerro e de venda do boi gordo, tendência que veio para ficar". O que o produtor deveria fazer? "Contas, muitas contas", diz ele. Grandini questiona alguns velhos paradigmas do setor, como a crença de que é antieconômico produzir animais bem acabados. "Será? Acho que está na hora de rever esta questão. Com o custo de produção alto, é preciso obter mais lucro por animal e isso implica em produzir carcaças mais pesadas. Evidentemente, cada fazenda tem seu custo e sistema produtivo, mas essa possibilidade deve ser analisada e não previamente descartada", argumenta

A reportagem completa você acompanha na edição impressa de DBO 380 


Comentário