27 de junho de 2017
Corte
11 de maio de 2017 - 18:18

Combate a cupinzeiros exige persistência do produtor

Praga que causa mais incômodo visual do que propriamente econômico, o cupim pode ser eliminado mediante controle químico, biológico ou mecânico

Marina Salles

Os cupins são insetos sociais, que apresentam sobreposição de gerações em um mesmo ninho (cupinzeiro), onde dividem tarefas. Para a pecuária, têm maior importância os de montículo, que são aqueles aparentes, que ficam sobre a pastagem, e os subterrâneos.

Embora não causem prejuízos econômicos comprovados cientificamente, esses insetos incomodam a vista de qualquer um, e segundo o pesquisador Marcos Rafael Gusmão, especialista em entomologia aplicada da Embrapa Pecuária Sudeste, não raro acabam por depreciar o valor das terras que ocupam. “Verifica-se que áreas que apresentam altas densidades de cupinzeiros tendem a ser mais desvalorizadas por compradores de terras, que associam a sua presença à perda da fertilidade do solo”, diz. Embora também para isso não haja comprovação, há quem prefira retirar os cupinzeiros do caminho.

De acordo com o pesquisador, o principal dano causado por cupins de montículo, sobretudo aqueles do gênero Cornitermes, é o dano estético na área de pastagem. “Áreas de pastagens não renovadas apresentam aumento do número de cupinzeiros ao longo do tempo;
entretanto, não é significativa a redução da área útil da pastagem em função do aumento do número de cupinzeiros”, afirma Gusmão.

Segundo pesquisas feitas pelos especialistas Cecília Czepak, da Universidade Federal de Goiás, e José Raul Valério, da Embrapa Gado de Corte, em áreas de pastagem com densidades de 78 e 200 cupinzeiros/ha a área útil de pastagem foi reduzida entre 0,4 e 1%. Além do dano estético, as altas densidades de cupinzeiros dificultam o manejo dos animais e o deslocamento de máquinas, podendo servir também de abrigo para animais peçonhentos. Para aqueles produtores decididos a fazer o combate ao inseto, existem algumas opções.

Métodos de controle - De acordo com Gusmão, o controle químico é o método mais efetivo contra os cupins, estando registrados no Ministério da Agricultura, Pecuária e  Abastecimento os seguintes princípios ativos nas seguintes formulações: pó molhável (espinosade), fumigante em pastilha (fosfeto de alumínio) e concentrado termonebulizável (clorpirifós). Tanto no caso do pó molhável como do fumigante, as aplicações devem ser localizadas. “Lembre-se de que o cupinzeiro a ser tratado deverá estar ativo; garantindo isso, a recomendação é perfurar o montículo com uma barra de ferro de 3/8 de diâmetro até atingir a câmara celulósica – quando se percebe menor resistência na penetração da barra”, diz o pesquisador. Passados sete dias da primeira aplicação, a atividade do próprio cupinzeiro deve culminar no fechamento do orifício aberto para colocar o veneno. Assim, uma nova aplicação é recomendada, a depender das especificações do fabricante e de orientação técnica.

Gusmão destaca que cada formulação requer equipamento de aplicação específico, para que o ingrediente ativo alcance a câmara celulósica e tenha controle satisfatório. Para formulações diluídas em água, pó molhável e concentrado emulsionável, ele indica que o volume de calda seja aplicado com funil longo. “O tubo longo permite melhor distribuição da calda inseticida no interior do ninho”, afirma. “Já a formulação concentrada termonebulizável requer equipamento termonebulizador, que irá converter, pelo calor, o produto líquido em fumaça, quando em mistura com óleo diesel. A fumaça é introduzida no interior do cupinzeiro até a saturação da colônia, o que é evidenciado pelo escape da fumaça através dos orifícios naturais presentes na base do montículo”, explica o pesquisador. As pastilhas fumigantes devem ser introduzidas no interior do montículo através do canal aberto com barra de ferro. Após aplicação das pastilhas, deve-se vedar, com terra, o canal aberto.

Além do controle químico, resultados promissores têm sido obtidos com a utilização de fungos entomopatogênicos Metarhizium anisopliae e Beauveria bassiana. Nivaldo Guirado, da Apta, verificou o controle de 100% do cupim de montículo (Cornitermes cumulans) utilizando o fungo Metarhizium anisopliae na formulação suspensão oleosa, na dose de 30ml/1000ml de água. “Um porém é que não existem produtos registrados a base de fungos entomopatogênicos para o controle de cupins em pastagens”, lembra Gusmão.

O controle mecânico é outro método comumente utilizado, principalmente para eliminar cupins de montículo. Nesse caso, ressalta-se a importância de utilizar equipamentos eficientes na demolição total dessas estruturas, a fim de evitar a multiplicação dos cupinzeiros nas pastagens. Implementos acoplados à tomada de força do trator, conhecidos como broca cupinzeira e demolidora de cupins, são eficientes no controle de cupins de montículo quando se consegue a penetração do equipamento no solo. Por precaução, recomenda-se a destruição mecânica dos cupinzeiros após a aplicação de inseticidas e certificação da morte dos cupins.

Prevenção - Embora seja difícil prevenir os ataques, algumas medidas podem auxiliar para o não estabelecimento de novos ninhos, além de conter a expansão de ninhos já estabelecidos. São elas evitar deixar o solo exposto (sem cobertura vegetal) durante o período da revoada, o que pode reduzir o sucesso de estabelecimento desses insetos, e promover a manutenção de populações de predadores, como aves (pássaros e galináceos), além de mamíferos (tamanduá, tatu e morcegos), responsáveis pelo controle natural dos cupins.

Também vale fazer o tratamento de sementes para áreas de ocorrência de cupins, verificada por amostragem antes do plantio; fazer o plantio de pastagens fora da época de maior ataque dos cupins, durante a época chuvosa, de modo que as plantas se estabeleçam mais rapidamente se houver um ataque; escolher gramíneas tolerantes – que apresentem sistema radicular e crescimento da parte aérea vigorosos; e promover uma fertilização (calagem e adubação) balanceada, de forma a aumentar o vigor das plantas e reduzir a suscetibilidade aos cupins.

Associado a isso – ainda que não se tenham dados de pesquisa sobre a relação entre o manejo do pasto e o aumento de cupins nas pastagens –, devido ao hábito desses insetos de forragear material celulósico, existe a hipótese de que o acúmulo de materiais ricos em celulose promova o aumento da densidade de cupins. “Por isso, o manejo do resíduo pós pastejo, bem como o manejo de resíduos animais (fezes) nas áreas de pastagens poderia estar relacionado com a densidade populacional de cupins. Contudo, esta hipótese é passível de teste”, completa Gusmão.

Fonte: Portal DBO

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