21 de janeiro de 2018
Mercado pecuário
16 de março de 2016 - 12:29

Cresce demanda por touros

Na CFM Agro-Pecuária, a safra de touros, que geralmente se esgota em março, foi toda vendida em novembro

A alta do preço da arroba, que vem principalmente desde o fim de 2015, impulsionou a procura por touros, segundo o gerente de Pecuária da CFM Agro-Pecuária, Tamires Miranda Neto, durante visita de jornalistas à Fazenda São Francisco, situada em Magda (SP) e pertencente à empresa. "A safra de touros, que geralmente se esgota em março, foi toda vendida em novembro do ano passado", afirmou Miranda Neto, referindo-se aos animais nascidos em 2013. "Normalmente, teríamos entre 200 e 300 touros para vender ainda nesta época. Concluímos as negociações em novembro do ano passado, pois a procura foi bastante aquecida."

Para ele, a demanda deve continuar forte pelos touros da safra 2014, que começam a ser vendidos em 10 de agosto, no Megaleilão de Touros Nelore CFM, em São José do Rio Preto (SP). O motivador da demanda aquecida continuará a ser a arroba valorizada em São Paulo. "Apesar de ainda estarmos em março e ser um pouco cedo para garantir, esperamos, sim, um aumento (na venda de animais)", afirmou.

Por ano, a CFM comercializa 1.800 touros com Certificado Especial de Identificação e Produção (Ceip). Este volume corresponde a 30% do rebanho da empresa, que é criado em cinco fazendas, em 20 mil hectares de pastagem e também em sistema de confinamento próprio. O foco da empresa na produção de touros é que eles originem descendentes que demonstrem alto desempenho na criação a pasto, para posteriormente serem abatidos com bom rendimento de carcaça.

Os 70% não selecionados como reprodutores vão direto para o abate. Neste quesito, a perspectiva de Miranda Neto é que o preço da arroba continue firme no Estado de São Paulo, por causa atual da baixa oferta de animais terminados e das boas condições das pastagens, o que permite a engorda a baixo custo. O gerente prevê que poderá haver uma ligeira queda no preço da arroba em maio, quando a oferta tenderá a aumentar. No entanto, a cotação deve voltar a subir até o fim do ano e chegar aos R$ 163 em outubro.
Miranda Neto baseia suas projeções sobretudo na alta dos preços domésticos dos grãos - o milho já subiu mais de 50% nos últimos seis meses -, o que deve elevar os custos de confinamento do mercado em pelo menos 20%. "Para a CFM, ainda não temos o custo (de confinamento) definido porque dispomos de estoques (de grãos) do ano passado e também plantamos milho", diz Miranda Neto. "Mas com certeza a alta do milho vai influenciar no preço da arroba engordada este ano."

Ele pondera, no entanto, que o custo do confinamento pode variar muito de criação para criação. "Depende do nível da ração e das condições em que os animais entram na engorda. Aqui, por exemplo, não precisamos de um ganho de peso tão alto (dada a qualidade dos animais), então, às vezes usamos 40% de cana-de-açúcar no cocho", diz Miranda Neto, referindo-se a um volumoso mais barato. "Há confinamentos que só podem utilizar no máximo 15% de cana." O gerente projeta, ainda, uma redução no número de animais confinados este ano. "Além de o preço do grão estar mais alto, o boi magro também está", disse ele, exemplificando os dois fatores que mais pesam na decisão do pecuarista de investir ou não no confinamento. 

Fonte: ESTADÃO CONTEÚDO

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