22 de novembro de 2017
reagentes
11 de agosto de 2017 - 17:11

Faltam insumos para testes de brucelose e tuberculose em bovinos

Suspensão de um fabricante e aumento de preços com importação têm limitado a realização de exames para detecção das doenças em bovinos

Alisson Freitas, Thuany Coelho e Sérgio de Oliveira

No momento em que a pecuária brasileira luta para se recuperar das recentes crises, mais um problema surge no radar. Devido à  falta de reagentes e encarecimento destes insumos, diversos estados têm encontrado dificuldade para fazer exames de diagnóstico de brucelose e tuberculose em bovinos.

“É um ponto muito delicado que pode representar mais um trauma sanitário no País”, destacou Sebastião Guedes, da Comissão Nacional de Pecuária de Corte (CNPC).

Até o fim do ano passado, a fabricação dos antígenos era feita pelo Instituto Biológico (IB), de São Paulo, e pelo Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar).  Uma auditoria do  Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) na Tecpar, em meados de setembro, encontrou não conformidades nas instalações e desde o fim do ano passado o instituto foi proibido de fabricar os antígenos até que as adequações, estimadas em R$ 3 milhões, sejam feitas.  

Com isso, desde o início do ano o IB é a única instituição autorizada a fabricar os reagentes, o que provocou uma sobrecarga na linha de produção, como reconhece Ricardo Jordão, responsável técnico da Unidade Laboratorial de Referência para Imunobiológicos e Insumos. “Foi uma passagem repentina e nós não demos conta de atender toda a demanda. A bactéria usada nos antígenos demora mais de seis meses para se desenvolver”, explicou.

Para minimizar os danos, o Mapa autorizou a importação de reagentes do Laboratório Microsules, da  Argentina, e desde então os produtos têm sido comercializados em revendas autorizadas. Antes disso, cada Estado tinha a sua própria política de distribuição: via revendas ou via Defesas Agropecuárias.

O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, admitiu a falta do produto e disse que a pasta está tentando solucionar do problema. “Estamos acompanhando essa situação. É um assunto que está na mesa do ministério, mas nós, como agentes públicos, não podemos importar. É necessário que setor privado faça a sua parte".

Preço - Além da baixa oferta, outro problema que tem limitado o acesso aos antígenos é o preço. De acordo com Rafael Reis, gerente de Saúde Animal da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), o alto custo do produto tem diminuido a realização de exames no Estado. “Já sofríamos com a falta de reagentes há algum tempo, mas a situação se agravou no início do ano. Com as importações os exames voltaram a ser feitos, mas em um número bem menor do que antes. Não são todos os produtores que podem arcar com os custos”, informou.

Em Mato Grosso, um dos Estados com maior índice de prevalência de Brucelose do Brasil, a situação é parecida. De acordo com Jociane Quixabeira, responsável pelo programa de controle e erradicação de brucelose e tuberculose do Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso (Indea), as importações encareceram os antígenos e houve queda de 50% no número de exames. Segundo ela, o problema da falta dos reagentes é crônica e se agravou nos últimos três anos, a ponto de colocar em xeque o programa, prejudicando, principalmente, pecuaristas que enviavam seus animais para exposições, leilões e comercializavam gado em pé para outros Estados. “Muitos produtores que faziam o exame de forma rotineira deixaram de fazer. Agora só fazendas mais tecnificadas têm recursos para isso”.

Conforme apurado pela reportagem do Portal DBO, no ano passado o preço dos antígenos de tuberculina era de R$ 75 o kit com 50 doses. Já a brucelina - pacote com 60 doses - custava R$ 102. Atualmente, em um revenda em Cuiabá, MT, o preço da tuberculina está em R$ 160 e o da brucelina é de R$ 220.

Jociane afirma que,  atualmente, a situação é mais grave em relação aos antígenos de diagnóstico de tuberculose. “As importações têm equilibrado a oferta dos testes de triagem (PPD Bovino), que deve ser totalmente sanada até outubro. Já no caso dos testes de confirmação (PPD Aviário) ainda não há previsão de normalização. As revendas só têm vendido o estoque remanescente do Indea”.

Os antígenos de brucelose e tuberculose são produzidos com bactérias refinadas e só podem ser adquiridos por médicos veterinários autorizados por órgãos estaduais. Em ambos os casos, os exames são feitos em duas etapas. A primeira é o teste de triagem, em que uma reação indica a possibilidade de o animal estar doente. No caso da brucelose, o teste é feito in vitro em um laboratório; já no de tuberculose, a substância é aplicada no animal. Como alguns resultados podem apontar “falso positivo”, é necessário um teste de confirmação para comprovar efetivamente a doença.

Na primeira semana de agosto, produtores do interior paulista não conseguiam fazer os exames de brucelose e tuberculose em seus rebanhos por falta dos insumos no mercado. Apenas em Tambaú, SP, eram mais de cem os pedidos de exames que aguardavam para serem realizados, como relatou um produtor.

Fonte: Portal DBO

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