21 de outubro de 2017
Carrapatos
11 de outubro de 2017 - 15:10

IZ desenvolve produto contra carrapatos

Os diferenciais da fórmula são sua ação rápida e a não-utilização de composto sintético em sua composição

Após quase um ano de desenvolvimento, uma formulação de um produto à base de óleos essenciais, capaz de controlar carrapatos em bovinos de forma rápida e eficiente, está pronta para ser comercializada. A fórmula foi desenvolvida pelos pesquisadores do Instituto de Zootecnia (IZ-Apta), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Cecília José Veríssimo e Luciana Morita Katiki, e o aluno de pós-graduação em Produção Animal Sustentável do IZ, o farmacêutico Leandro Rodrigues, em parceria com o bioquímico Germano Scholze, proprietário da empresa HYG System. Segundo os pesquisadores do IZ, no mundo todo empresas e cientistas buscam o desenvolvimento de formulações alternativas, de origem natural, para o controle dos carrapatos em bovinos, devido à resistência destes aos produtos químicos. O Instituto de Zootecnia é ligado à Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta).

A pesquisa de desenvolvimento do produto começou em 2015. No ano passado, o projeto recebeu aporte financeiro da empresa HYG System, por meio de um termo de cooperação técnico-científico de desenvolvimento conjunto, que teve a assessoria técnica do Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT-IZ/Apta), da negociação ao instrumento jurídico firmado.

O diferencial do produto é a não-utilização de composto sintético em sua formulação, e sua ação rápida sobre os carrapatos. Em testes in vivo, ou seja, realizados no animal, ocorre a morte de diversas fases do carrapato (larvas, ninfas, machos e fêmeas) em 48 horas, reduzindo significativamente a contagem de carrapatos nos animais logo na primeira semana. O teste in vitro mostrou 100% de mortalidade da fêmea, que nem chega a por ovos. “Normalmente, os produtos químicos utilizados na forma de aplicação Pour-on (aplicação no fio do lombo) demoram de sete a 10 dias para começar a agir. Quanto mais rápida a eliminação dos carrapatos, principalmente das fêmeas que sugam o sangue do animal, mais rápida será a recuperação do peso e produtividade”, explica Rodrigues.

Outro diferencial é a ação sob todas as fases do carrapato. Após a aplicação do produto, as fêmeas ingurgitadas e demais fases dos carrapatos secam, de modo que não chegam a por ovos. “Com isso, há eliminação de grande parte da população, o que evita a resistência dos carrapatos ao produto. A resistência é um dos grandes problemas para o controle do carrapato e este carrapaticida natural consegue driblá-lo”, afirma Scholze.

O preço do produto no mercado deve competir com os carrapaticidas em uso. “A aplicação é feita pulverizando as áreas onde há maior contração de carrapatos, como períneo, axila, barriga ou pescoço. Esta é mais uma opção que a pesquisa paulista disponibiliza aos produtores rurais”, diz Cecília, que trabalha com o controle do carrapato do boi há mais de 30 anos e diz nunca ter visto um produto alternativo tão eficiente quanto este.

“O projeto é muito positivo, pois com esse trabalho de parceria priorizamos o desenvolvimento de um produto que seja usufruído de imediato pelos produtores, beneficiando, principalmente, os animais, por ser de origem natural”, explica Luciana.

De acordo com estimativas publicadas em 2014, coordenadas pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), as perdas decorrentes da infestação de carrapatos em bovinos ultrapassam US$ 3 bilhões por ano no Brasil. Cecília explica que o carrapato do boi (Rhipicephalus microplus) ataca principalmente as raças de origem europeia, sendo a Holandesa, utilizada para produção de leite, muito suscetível. “As raças zebuínas, como Nelore, Gir e Guzerá, muito utilizadas no Brasil, têm resistência natural aos carrapatos, diferente das raças europeias, muito suscetíveis a esses ectoparasitas”, explica. Além disso, os carrapatos transmitem duas doenças aos animais, a anaplasmose e a babesiose, conhecida popularmente como “tristeza parasitária bovina”, que ocasionam febre alta e anemia, podendo causar a morte de bezerros.

Fonte: Apta

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