22 de agosto de 2017
Delação da JBS
18 de maio de 2017 - 14:25

Ibovespa desaba após delação da JBS e interrompe pregão

Denúncias ao presidente Temer causam turbulência no mercado e bolsa é obrigada a realizar o primeiro circuit breaker em nove anos

O principal índice da Bovespa desabava nesta quinta-feira,18 de maio, e devolvia quase todo o ganho acumulado do ano, com os negócios chegando a ser interrompidos mais cedo, o que não acontecia há quase nove anos, após as notícias de gravação com o presidente Michel Temer dando aval para a compra do silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha.

Às 12:50, o Ibovespa caía 9,34 %, a 61.230,62 pontos. O giro financeiro era de R$ 8,94 bilhões. No ano até a véspera, o Ibovespa acumulava alta de 12,14%, após subir 38,9% em 2016.

O mecanismo de circuit breaker, que não era usado desde 22 de outubro de 2008, foi acionado às 10:21 desta quinta-feira, quando Ibovespa caía 10,47% a 60.470 pontos, quando os negócios foram interrompidos por 30 minutos. Segundo as regras da B3, a interrupção pode voltar a acontecer por uma hora caso a queda chegue a 15% em relação ao fechamento da véspera.

"Agora a gente volta para o cenário desagradável de fechar as planilhas de valuation e todas as precificações de ativos se voltam para o noticiário político", disse o gestor de renda variável da Fator Administração de Recursos, Daniel Utsch.

As denúncias envolvendo Temer vieram à tona na noite passada, quando o jornal O Globo publicou que Joesley Batista, um dos controladores do frigorífico JBS, gravou Temer concordando com pagamentos para manter o silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha. As ações da JBS caíam 14,7%.

Até por volta do meio dia, a JBS já havia perdido cerca de R$ 4,5 bilhões em valor de mercado ante a véspera, mantendo o movimento visto nos últimos pregões, uma vez que os papéis da empresa vinham sofrendo com ações da Polícia Federal e após a divulgação do balanço do primeiro trimestre. Apenas em dois dias, até a véspera, a JBS perdeu cerca de 3,5 bilhões de reais em valor de mercado.

As outras ações que mostravam as maiores quedas do pregão eram Rumo ON, Eletrobras ON e Banco do Brasil ON, com baixas de 19,17%, 18,14% e 17,1%, respectivamente.

Itaú Unibanco PN e Bradesco PN, ações de grande peso no índice, perdiam 11,8% por cento e 14,5% por cento, respectivamente.

Os únicos papéis que subiam neste pregão eram os de empresas que se beneficiam com a alta do dólar. Fibria ON tinha alta de 7,5% por cento, enquanto Suzano Papel e Celulose PNA ganhava 3,6% por cento e Embraer ON avançava 0,4%.

Dólar dispara - O dólar futuro disparava nesta quinta-feira, chegando a atingir o limite máximo permitido de 3,4175 reais para este pregão, depois de denúncias envolvendo o presidente Michel Temer que alimentaram percepções de que as reformas serão afetadas e, consequentemente, a recuperação da economia.

Os negócios no mercado à vista demoraram a acontecer, com os investidores evitando tomar posições, e eram poucos nesta sessão. Diante disso, o Banco Central anunciou nova intervenção no mercado, com leilão de swaps tradicionais, equivalentes à venda futura de dólares, e que não eram voltados para rolagem de contratos já existentes.

Às 12:00, o dólar avançava 6,06% , a R$ 3,3237 reais na venda, depois de bater R$ 3,4400 reais na máxima do dia. O dólar futuro subia 5,85%, a R$ 3,3330 reais.

Fonte: Reuters

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