20 de novembro de 2017
Estiagem
7 de fevereiro de 2017 - 13:33

Seca no Cerrado deixa pecuaristas em alerta

Estiagem dos últimos três anos tem impedido o desenvolvimento de forrageiras, dificultando a alimentação do gado

Alisson Freitas

O ano de 2017 promete trazer grandes desafios aos pecuaristas de todo o Brasil. Com a redução de consumo de carne vermelha e o provável aumento de oferta de animais para o abate, espera-se que a arroba continue em queda ao longo do ano. No entando, a situação promete ser ainda pior para os pecuaristas com fazendas no Cerrado.

A região, que cobre uma área de oito estados, tem sido fortemente afetada pela seca nos últimos três anos, o que tem impedido que as forrageiras se desenvolvam corretamente e permite a expansão de plantas invasoras.

“Com restrição de forragem e falta de água, fica difícil alimentar os animais e eles correm o risco de morrer de fome”, destaca Maurício Veloso, pecuarista da região de Porangatu, GO, e presidente da comissão de pecuária da Federação da Agropecuária e Pecuária de Goiás (Faeg). “É necessário que o pecuarista se prepare e tome suas decisões o quanto antes. Se ele demorar, pode ser tarde demais e ele não consegirá reagir na seca”, acrescentou.

Ele explica que embora todo o bioma seja afetado, existem regiões em que a situação é ainda mais severa. “Em Paracatu, no Noroeste de MG, por exemplo, choveu apenas 200 milímetros de julho de 2016 até 4 de fevereiro deste ano. Já em Porangatu, choveu esse volume em 15 dias”, alertou.

O cenário negativo deve afetar principalmente produtores de cria. A baixa capacidade de lotação dos pastos tem adiado a compra da reposição, acarretando na redução das cotações de bezerros e garrotes. Com isso acontece o represamento de animais na fazenda do criador, elevando os gastos com alimentação e comprometendo ainda mais a receita da propriedade.

No entanto, há quem consiga se sobressair diante dessa realidade. Maurício destaca que alguns produtores se anteciparam a essa situação e investiram fortemente em tecnologia para conseguir manter sua produtividade. “Temos casos de produtores que fizeram o manejo correto do pasto, realizando técnicas de adubação e pastejo rotacionado, por exemplo. Com isso, hoje, boa parte deles está preparada para a seca e consegue colocar até 8 cabeças por hectare”, disse.

Medidas de emergência - Para ajudar os produtores a se precaver com o período de estiagem, o executivo da Faeg classifica algumas medidas de emergência que devem ser tomadas o mais rápido possível, dentro dos próximos 40 dias.

A primeira delas é identificar os locais da fazenda onde o pasto é melhor e fazer a adubação de cobertura para melhorar a produtividade dessas áreas. O produtor deve também buscar as áreas mais adequadas para produzir silagem e feno.

Nas áreas que estão mais degradadas, Maurício indica a plantação de milheto. Segundo ele, a planta tem baixo custo de manutenção e não precisa de muita água para se desenvolver. Ela pode ser usada tanto na produção de silagem como para o pastejo dos animais, garantindo a alimentação nos períodos mais críticos.

Ele também aconselha que os produtores tenham na ponta do lápis a sua estratégia de suplementação para a seca, sabendo previamente qual energético será usado e quanto do composto será fornecido ao animal diariamente.

Por fim, Velloso destaca a seleção de animais a serem engordados como uma ferramenta fundamental para a gestão de custos. “Todos os animais que não serão terminados devem ser descartados. Muitos produtores vão achar que os preços atuais estão baixos, mas eles podem cair ainda mais na entrada da seca. Além do que, é melhor conseguir um preço 'baixo' agora do que correr o risco de não ter condições de alimentar esse animal quando a situação estiver mais crítica”, concluiu.

Fonte: Portal DBO

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