22 de novembro de 2017
Corte
31 de outubro de 2016 - 17:00

USP Ribeirão Preto desenvolve vacina contra o carrapato

Estudos piloto demonstraram eficiência de até 87% no controle do parasita com o uso de formulação que contém diferentes antígenos

Marina Salles

Desenvolver uma vacina contra o carrapato-do-boi está longe de ser tarefa fácil. De acordo com a pesquisadora Isabel Miranda Santos, da Universidade de Medicina da USP de Ribeirão Preto, testes mostraram que para alcançar maior eficiência é necessário trabalhar com vários antígenos. “Nos últimos experimentos que fizemos, tivemos níveis de eficiência de 73% com um conjunto menor de antígenos, e 87% com outro maior”, diz.

A vacina mais eficiente provocou danos sobre as fêmeas do carrapato, que após sugarem o sangue dos animais ficavam túrgidas (inchadas) e não conseguiam botar ovos. Com menos parasitas nas pastagens, o controle da infestação é facilitado.

Além da questão do maior número de antígenos, que difere de outras pesquisas nacionais e internacionais, a solução desenvolvida na USP tem mais uma vantagem. “A diferença é a origem das proteínas que são utilizadas. No caso da nossa vacina, a escolha foi por antígenos a que o boi é exposto naturalmente”, afirma Isabel.

Enquanto os antígenos da vacina cubana, Gavac, já disponível no mercado, estão presentes no intestino do parasita, a vacina estudada na Universidade de São Paulo tem como base antígenos que são inoculados no boi durante o processo de fixação do carrapato no seu couro. “Então, o contato permanente com esses antígeno reforça a imunidade do rebanho, fazendo com que a memória do animal vacinado seja mais durável”, explica a pesquisadora. Na prática, o reflexo é observado na menor frequência necessária entre uma e outra vacinação; período que ainda não foi completamente definido. 

O fim dos carrapaticidas - O que se sabe é que a vacina pode substituir o uso de produtos químicos no controle do carrapato. Esses produtos, além de serem potenciais geradores de resíduos na carne e no leite dos animais, têm tido sua eficácia comprometida com o desenvolvimento de resistência entre os parasitas.

“A cada ano você tem nas pastagens de dois a três tipos de carrapato, e cada fêmea deixa ali muitos descendentes. Fazer o controle só com uma arma é aumentar a chance de selecionar os parasitas. Aqueles que criam resistência diminuem a eficácia dos produtos”, afirma Isabel. 

Hoje, além da vacina, estão sendo estudados repelentes e marcadores genéticos no combate ao parasita. “Certas raças bovinas têm por característica serem menos suscetíveis ao carrapato, e isso é hereditário”, diz a pesquisadora. No caso desses animais, quando as fêmeas do carrapato eventualmente conseguem sugar seu sangue, elas põem menos ovos. “Então, é como se essa característica funcionasse como uma vacina autógena”, explica Isabel. Um exemplo de raça animal mais tolerante aos carrapatos seria a Braford, comparativamente aos taurinos puros. 

Comercialização - Patenteada, a vacina desenvolvida na USP de Ribeirão Preto segue no momento em fase de transferência de tecnologia para a iniciativa privada. “Desde 2014, a Bayer demonstrou interesse nos nossos resultados e estamos trabalhando para colocar um produto no mercado”, diz Isabel. Por enquanto, não há previsão para o lançamento.  


 

Fonte: Portal DBO

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