São Paulo/SP - 17 de maio de 2012

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19 de maio, 2011 - 01:29
A importância da análise de solos

As diferentes classes de solos existentes trazem consigo diferentes potencialidades e limitações à sua utilização, daí a grande necessidade de realizar análises de solo antes de se dar início ao plantio anual de qualquer lavoura comercial.
Marcelo Saldanha

As diferentes classes de solos existentes trazem consigo diferentes potencialidades e limitações à sua utilização, daí a grande necessidade de realizar análises de solo antes de se dar início ao plantio anual de qualquer lavoura comercial. Para as culturas perenes, a avaliação periódica da fertilidade dos solos também é importante, pois a produtividade está diretamente relacionada com a disponibilidade de nutrientes para as plantas, além de outros fatores. É do solo que as plantas extraem os principais nutrientes essenciais para seu desenvolvimento, como o nitrogênio, o fósforo, o potássio, o cálcio e o magnésio, chamados de macronutrientes.

O alumínio também está presente no solo, sendo, porém, um elemento tóxico para as plantas, o que torna sua presença indesejada, e sua eliminação se dá através da aplicação de calcário, que o converte a uma forma que a planta não consegue absorver. A avaliação da fertilidade (capacidade do solo em fornecer nutrientes em quantidade compatível com a necessidade do vegetal) é, portanto, o primeiro passo para a definição dasmedidas necessárias para a correção e o manejo do solo, e a análise química é um dos métodos quantitativos mais utilizados para se fazer esse diagnóstico.

Esse comportamento decorre principalmente do baixo custo das análises básicas, entre R$ 25,00 e R$ 30,00 por amostra, pela disponibilidade de laboratórios emtodas as regiões do Brasil, especialmente nas regiões produtoras, e pela rapidez na obtenção e entrega dos resultados, alémda possibilidade de planejar a recomendação de doses de adubos e corretivos que devemser aplicados antes da implantação da cultura. A aplicação de adubos e corretivos nas quantidades adequadas é importante tanto pelo aspecto nutricional quanto pe pelo econômico, pois se o produtor fizer a aplicação às cegas, como é muito comum acontecer, duas coisas podem ocorrer: caso ele aplique os insumos emquantidades insuficientes, a cultura não atingirá a produtividade ideal; caso utilize quantidades maiores de adubo e calcário, estará desperdiçando os insumos. E nas duas situações desperdiça dinheiro.

Uma correta amostragem da área a ser cultivada é de capital importância, pois é com base nela que se fará a recomendação de adubação. Para tanto, observe as instruções a seguir: Divida a propriedade em áreas uniformes de até 10 hectares, para a retirada de amostras. Cada uma dessas áreas deverá ser uniforme quanto à cor, topografia e textura do solo, e ainda quanto às adubações e calagens que recebeu. Áreas pequenas, diferentes das circunvizinhas, não deverão ser amostradas juntas. Cada uma das áreas escolhidas deverá ser percorrida em zigue-zague, retirando- se com um trado, amostras de 15 a 20 pontos diferentes, que deverão ser colocadas juntas em um balde limpo. Na falta de trado, poderá ser usado um tubo ou uma pá.

Todas as amostras individuais de uma mesma área uniforme deverão ser muito bem misturadas dentro do balde, retirando-se uma amostra final (chamada amostra composta), com peso em torno de 500 g. As amostras deverão ser retiradas da camada superficial do solo, até a profundidade de 20 cm, tendo antes o cuidado de limpar a superfície dos locais escolhidos, removendo as folhas e outros detritos. Não coletar amostras de locais próximos a residências, galpões, estradas, formigueiros, depósitos de adubos etc. Não retirar amostras quando o terreno estiver encharcado. No caso de culturas perenes (frutíferas) sugere-se também retirar amostras entre 20 e 40 cm de profundidade. Identifique perfeitamente cada amostra, numerando cada recipiente, fazendo o mesmo no local de retirada de cada amostra, para se saber depois a que terreno corresponde cada amostra analisada.

Uma ficha deve ser preenchida e anexada a cada amostra, contendo os seguintes dados: Nome do proprietário, propriedade (Ex. Sítio S. João), Município, UF (Sigla do Estado), identificação da amostra e cultura a ser plantada. De posse dos resultados de análise do solo, deve-se procurar o órgão de extensão rural de seu estado, como a EMATER, ou um engenheiro agrônomo ou técnico agrícola extensionista, para a realização da adequada recomendação de adubação, ou um agrônomo da cooperativa, se for cooperado. Para se realizar uma análise que retrate comfidelidade as reais condições do solo, o produtor deve fazer uma amostragem adequada, e encaminhar as amostras para um laboratório que efetue com confiabilidade as análises. Em função da complexidade da matriz solo, os valores dos parâmetros avaliados em uma análise de rotina (ph, matéria orgânica, K, Mg,Al, H+Al, P), podem variar muito de laboratório para laboratório, especialmente quando a concentração dos elementos for muito alta ou muito baixa.

Para minimizar tais problemas, existem ensaios de proficiência, popularmente chamados de programas de controle de qualidade, que prestam aos laboratórios interessados o serviço de monitoramento da qualidade de suas análises. Para tanto, o programa de qualidade envia amostras de solo aos laboratórios, que as analisam, e estes são avaliados em função do nível de acertos obtidos durante um período, normalmente de um ano. Caso o desempenho do laboratório seja satisfatório, este recebe o direito de adquirir umselo de qualidade, que deverá ser colado emcada umdos laudos emitido. Tal selo é o comprovante de que o laboratório se submeteu a umcontrole externo, tendo obtido bons resultados durante o período de avaliação.

O controle externo da qualidade dos laboratórios se tornou tão difundido que os agentes financiadores de várias regiões do Brasil, sejampúblicos ou privados, não concedem financiamento ao agricultor se os laudos de análise apresentados não contiverem o selo de algum dos programas de qualidade em funcionamento hoje no país, o que dá ao banco a segu segurança de que aquelas análises foram feitas em laboratório que realiza análises com confiabilidade. Existematualmente cinco provedores de ensaios de proficiência em funcionamento no Brasil: o ROLAS, conduzido pela Embrapa Trigo (Passo Fundo-RS), o CELAS, coordenado pela UTFPR, o Ensaio de Proficiência do IAC (Campinas-SP), o PROFERT, deMinasGerais, e o Programa de Análise de Qualidade de Laboratórios de Fertilidade (PAQLF), gerido pela Embrapa Solos, Rio de Janeiro. OPAQLF, de âmbito nacional, atende os laboratórios de fertilidade que utilizamo conhecido Método Embrapa de Análise de Solos. No PAQLF, os laboratórios são avaliados emfunção da exatidão (acerto) e da precisão (reprodutibilidade) dos resultados analíticos.

A partir dos resultados calcula-se o Índice de Excelência - IE, que serve como base para a avaliação dos laboratórios, uma vez que, a partir do IE, são atribuídos conceitos. Os participantes que obtêmosmelhores conceitos estarão habilitados a usar, no ano seguinte, o Selo de Qualidade do PAQLF.Ahabilitação ao uso deste selo foi introduzida em 1998 e funciona para atestar o desempenho satisfatório dos laboratórios. Para garantir a segurança e a autenticidade do selo de qualidade do PAQLF este contémitens de segurança que o equiparam a um selo cartorário. Por ser numerado, é possível saber qual laboratório adquiriu o selo, e emque data.

O selo possui características que impedem sua falsificação, como tarja com fita holográfica, impressão de tinta visível apenas sob luz UV, fundo numismático, validade de uso etc., tendo praticamente todas as características de uma cédula de dinheiro. Atualmente participam do PAQLF 109 laboratórios. São centros de pesquisa da Embrapa, universidades, órgãos de pesquisa e extensão, além de laboratórios particulares e de cooperativas. A qualidade dos resultados analíticos feitos pelos laboratórios melhora significativamente, pois a divulgação, a cada rodada, de um relatório das remessas de amostras, possibilita ao laboratório monitorar a qualidade analítica de seus processos, facilitando a identificação dos erros envolvidos nos mesmos, e de corrigi- los.

A cada ano o PAQLF realiza uma reunião com os laboratórios participantes, em diferentes regiões do país, e promove discussões metodológicas e palestras, com o objetivo de difundir as tecnologias mais recentes de segurança e gestão de laboratórios, gerenciamento e descarte de resíduos químicos, metodologias analíticas etc. Para conhecermais o PAQLF, ou se desejar dele participar, visite o site www.cnps.embrapa.br acessando o link no canto esquerdo da página principal, ou http://200.20.158.8/blogs/paqlf/ .

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