Produtores de leite têm recorrido cada vez mais à inseminação artificial. No segmento leiteiro, o número de doses negociadas pelas centrais no ano passado atingiu 4,38 milhões, o que representa um aumento de 11,2% em relação aos 3,94 milhões do ano anterior. No total geral, que inclui também touros das raças de corte, a comercialização chegou a 10,41 milhões de doses, um
aumento de 13,69% sobre o ano passado, conforme números divulgados pela Asbia-Associação Brasileira de Inseminação Artificial.
Os resultados são ainda modestos, diante do potencial brasileiro. De acordo com o presidente da entidade, Lino Rodrigues Filho, existe ainda muito espaço para crescer. "Essa é um tendência irreversível", afirma, destacando que o comportamento do mercado de sêmen do leite em 2010 foi "uma grata surpresa". Para Rodrigues, o grande desafio da entidade é "mostrar ao produtor o alto valor dessa tecnologia, cujo impacto no custo de produção é baixo".
O setor leiteiro, cuja participação no mercado de sêmen em 2010 atingiu 42%, registrou uma evolução de 72,4% na comercialização nos últimos dez anos. No ínicio da década (2001), o total das vendas limitava-se a 2,5 milhões de doses. A expectativa é que o mercado no segmento leite cresça acima de 15%.
Márcio Nery, diretor da ABS Pecplan, afirma que a previsão desse incremento se apoia na expectativa de estabilidade no mercado leiteiro. Para Antonio Esteves, da CRV Lagoa, o fato de o setor leiteiro comercializar prioritariamente touros importados, com o câmbio favorável ao real, foi de importância crucial nos níveis de venda, já que o preço do sêmen trazido de fora não implicou peso relevante no custo de produção do leite.
Na busca por tecnologias que lhe permitam melhorar a produtividade, o produtor usuário da inseminação artificial tem se mostrado aberto a novas tecnologias e a produtos ofertados no segmento. Prova disso é a alta procura por sêmen sexado. Representantes de diferentes centrais são unânimes ao afirmar
que o crescimento da venda desse tipo de sêmen tem sido vigoroso nos últimos três a quatro anos e que essa é uma prática que veio para ficar.
"Estimo que o sêmen sexado representa pelo menos 15% das vendas, o que significa 500/600 mil doses", diz Nery, da ABS Pecplan. "O produtor está buscando valor agregado", acrescenta Esteves, da CRV Lagoa. Segundo Nelson Ziesdorf, da Semex, o interesse por sêmen sexado está em que ele permite a obtenção
de fêmeas não somente para reposição, mas também para o incremento de um outro negócio da atividade leiteira, que é a venda de animais.
Segundo a Asbia, a inseminação artificial em tempo fixo ainda é pouco utilizada na produção do leite, sendo mais comum nos rebanhos de corte. "No leite, é mais empregada para corrigir o retorno da vaca ao ciclo reprodutivo", afirma Esteves. Quanto à fecundação in vitro, cuja prática já superou a da transferência de
embriões, ela representa dois terços do sêmen comercializado, informa.
Vendas no continente - A exportação de sêmen de touros criados no Brasil, ainda incipiente, tem como destino, exceto Canadá e Angola, países fronteiriços, como Equador, Paraguai, Peru e Colômbia. A principal raça exportadora de sêmen é o Gir Leiteiro, com 78% do total de doses. Há anos a raça mantém um programa de teste de trogênie com a Embrapa. Atualmente, a raça é objeto de um protocolo de exportação em negociação entre os governos brasileiro e indiano.
Segundo informação de Márcio Nery, a parte brasileira já foi concluída; falta o assentimento das autoridades da Índia. A possibilidade de exportar para a Índia deixa o setor de inseminação artificial bastante animado, pois a expectativa é de uma grande demanda. O país, grande consumidor e produtor de leite, está decidido a ampliar sua produção. A meta, segundo informação de agência noticiosa, é atingir uma produção de 180 milhões de toneladas em 2010. Certamente vão precisar de muito sêmen.