São Paulo/SP - 17 de maio de 2012

› Balanço / Reposição
03 de fevereiro, 2012 - 05:17
Alta de preços perde o fôlego

A oferta de boi magro deverá crescer ainda mais, e a previsão é de preços mornos. Com o aumento dos custos e a redução das margens, o produtor envia matrizes para o abate. No primeiro semestre de 2011 foram abatidas 5,11 milhões de vacas, número 10,9% superior ao do mesmo período do ano passado, segundo o IBGE
Renato Villela

A alta de preços que o mercado de reposição experimentou há dois anos perdeu força em 2011. As cotações do gado magro (11@) subiram, mas não na mesma intensidade de 2010. No Mato Grosso do Sul, por exemplo, onde a elevação do preço do bezerro (12 meses) foi mais acentuada, o boi magro valorizou-se apenas 2,2% de janeiro a dezembro de 2011, ante 22,5% no ano anterior, de acordo com a Scot Consultoria, de Bebedouro, SP. Em São Paulo, a diferença foi mais marcante: apenas 2,6%, na comparação entre a média de preços de dezembro (R$ 1.231) e a de janeiro (R$ 1.200). Em 2010, a diferença entre as duas médias foi de 26,5% (R$ 1.202 em dezembro, contra R$ 950 em janeiro).

O mesmo movimento registrou-se nas cotações do bezerro: crescimento de insignificantes 0,7% em 2011, na praça de São Paulo, na comparação entre a média de preços de dezembro (R$ 712) e a de janeiro (R$ 707). Em 2010, a variação atingiu 17,8% (R$ 698 em dezembro, contra R$ 592 em janeiro).

O abate de fêmeas voltou a crescer, após registrar quedas sucessivas desde 2007. Estaria o ciclo de alta dos preços da pecuária próximo do fim? "Ainda não podemos afirmar, mas certamente é hora de acender o sinal amarelo", diz Hyberville Paulo D`Athayde Neto, analista de mercado da Scot.

O crescimento do número de matrizes abatidas indica que as margens de lucro da atividade começam a se estreitar. Segundo o IBGE, no primeiro semestre de 2011 foram abatidas 5,11 milhões de vacas, número 10,9% superior ao do mesmo período do ano passado. "O aumento é expressivo, mas é preciso fazer duas ressalvas na leitura desses números", alerta o analista da Scot. "A forte seca que assolou o Brasil Central nos primeiros seis meses do ano passado derrubou os índices de fertilidade, o que contribuiu para o descarte nesse período. Além disso, a oferta modesta de boi para abate obrigou os frigoríficos a sair atrás de vacas, para preencher suas escalas e atender o mercado interno".

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